terça-feira, 22 de abril de 2008

Num Domingo Qualquer


Segunda-feira com cara de domingo, então foi uma coincidência ter visto (de novo) esse filme ontem. "Num Domingo Qualquer", do Oliver Stone. A fala do Pacino, bem no estilo "discurso motivacional americano", está aí, livremente traduzida:
"Eu não sei muito bem o que dizer, na verdade...
Três minutos para a maior batalha da nossa vida profissional. Tudo acontece hoje.
Nós precisamos nos curar, como um time, ou afundamos: centímetro a centímetro, jogada a
jogada, até o final.
Nós estamos no inferno agora, cavalheiros, acreditem. Nós podemos ficar aqui, afundados na
merda, ou nós podemos encontrar nosso caminho de volta, até a luz.
Podemos escalar o nosso inferno. Um centímetro por vez.
Eu não posso fazer isso por vocês, estou muito velho.
Eu olho essas caras jovens e penso: eu fiz todas as escolhas erradas que um homem da minha
idade pode fazer: eu desperdicei todo o meu dinheiro, acreditem. Eu afastei de mim todos os que
me amaram. E finalmente, eu mal posso encarar o sujeito que eu vejo no espelho.
Quando envelhecemos, as coisas são tiradas de nós. Isso é parte da vida.
Mas você aprende, quando começa a perder as coisas, que a vida é um jogo onde os centímetros
contam. Como no futebol.
Nos dois jogos, no futebol e na vida, a margem de erro é muito pequena. Um centímetro a mais
ou a menos e você não consegue.
(...)
Em qualquer luta, o sujeito que vence é aquele que está disposto a morrer."
Tá. E daí?
Sei lá. Acho que estou sentindo falta das parcerias, por isso a fala me chamou a atenção. Sem esse papo norte-americano de "lembre-se do Álamo" ou do heroísmo dos times de basquete e futebol que os filmes mostram. Mas parcerias. O lance de olhar no olho e ver um companheiro de luta, qualquer luta. Gente dividindo um sonho. Parece piegas, mas eu faço um trabalho que é coletivo.
Quando eu era pequeno, gostava de brincar sozinho com bonequinhos. Soldadinhos, super-heróis de plástico, playmobil (mais ou menos nessa ordem cronológica). Eu ficava inventando bases secretas, armando cenas com eles, e depois de tudo "pronto" era o trabalho de guardar na caixa de brinquedos.
Na biografia do Flávio Rangel, ele conta que na primeira peça que dirigiu ele pensou em toda a movimentação com soldadinhos de chumbo, porque o Adolfo Celli fazia isso. E eu me vi, com sete, oitos anos, brincando com meus bonequinhos.
Bom, hoje os bonequinhos são gente em escala real e não se brinca com eles. Espera-se deles que tenham parceria, que tenham propostas, que dividam um sonho e que não queiram apenas ser manipulados.
Chega de brincar sozinho.
Acho que o Pacino tem razão.
É muito mais fácil encontrar a saída do inferno em um time do que sozinho.
Mas o teu companheiro te dá motivação.
Não te carrega no colo, nem espera que você carregue ele.
Aos poucos vamos reagrupando o time.

Um comentário:

Aline Baba disse...

Velho Marujo eu tou aqui!

qdo eu era pequena a música mais triste do mundo era a do Soldadinho de chumbo que afundava sozinho no fundo do mar.