sexta-feira, 11 de abril de 2008

Kafka


Não resisti. Comprei o "Desista" hoje. E uma versão da "Metamorfose" ilustrada. E uma biografia do homem. Pecados de dia 10 do mês. Deus perdoa. Ele não discute com o Kafka.
Outro dia uma amiga minha entrou no msn e disse que estava em Praga. Meu diálogo com ela foi mais ou menos assim:

"- É sério mesmo?
- Estou sim!
- Me faz um favor?
- Fala.
- Acende uma vela no túmulo do Kafka por mim?
- René, ele está enterrado em um cemitério judeu.
- E...?
- Eu acho que em cemitérios judeus não se pode acender velas.
- (com decepção) Sério?
- Acho que sim.
- Então... Acende uma vela escondido?
- Bem, se eu for deportada é culpa sua.
- Ok, é por uma boa causa."

No final das contas me informei de que é permitido sim. Tomara que ela tenha acendido. Não sei porque, mas acho que terá me feito bem render uma homenagem a esse sujeito. Como tudo tem um fundo psicológico, obviamente eu preciso saber se isso foi feito para viver os benefícios da vela acesa em prol de Franz... A Vanja jura de pé junto que fez o mesmo no túmulo do Beckett para mim. Eu acredito nela. Postou até uma foto (meio mórbido isso) do túmulo dele no blog dela com o comentário: "descanse em paz".
Tudo isso porque comprei o "Desista". É do mesmo quadrinista que fez uma versão da "Metamorfose" (esgotada, segundo o vendedor da Saraiva Mega Store) que eu só li, não tenho. Apesar de ser muito imagético, me dá vontade de voltar à "Metamorfose" de novo, mas dessa vez centrando no trabalho com a palavra. É um conto extremamente bem escrito. Um dos inícios mais geniais. E os ecos de Kafka estão em toda parte. Arrisco dizer que "A Paixão Segundo GH" da Clarice não existiria sem "A Metamorfose". A bruxa leu. Ô, se leu...

A solidão do Gregor é inigualável. É prisioneiro dentro de si mesmo. Acho que o Kafka escolheu uma personagem metafórica de um estado humano que todos já experimentaram um dia... Talvez em proporções menores. De exclusão, de preconceito, de solidão, de desespero.
Gregor é a personificação de uma série de situações-limite.

Mas eu ainda creio que há saída. Mesmo que a gente precise despertar metamorfoseado um dia, ou comer uma barata no quarto dos fundo para que isso aconteça.

Nesse meio tempo, espero que a vela tenha sido acesa.
Boa noite Gregor. Não sei se adianta, mas eu estou por aqui.

(Foto: anotações de Franz Kafka)

2 comentários:

Kedma Franza disse...

Até presbiterianos acenderiam uma vela no túmulo do Kafka no cemitério judeu.

Aline Baba disse...

Será que existe um túmulo do Shakespeare e do Cervantes 9se não for o mesmo)...

deve ter alguém q eu conheço por lá....