quarta-feira, 23 de abril de 2008

Terremotos e afins


Houve um terremoto hoje aqui.
Nem sei como estou escrevendo agora.
Os abalos sísmicos deveriam ter dado uma pane geral nas comunicações.
Mas graças aos Céus, sobrevivi e posso escrever isso...

Disseram que no Butantã o pessoal sentiu. Coisa de 5,2 na escala Richter.
Aqui nas imediações dos Campos Elíseos, tem que ser muito mentiroso para dizer que percebeu alguma coisa... Nesse meio tempo, entre um terremoto, as águas de março em abril e provavelmente um novo dilúvio que deve ser anunciado nos próximos meses, nada de muito especial. Ao menos em se tratando de meteorologia.

Parece que a mídia precisa desesperadamente de assunto. E o caso da menina? Agora a irmã da madrasta (ou do pai?) surge como cúmplice também. Uma espécie de Big Brother soturno. Realmente, não é estranho fazerem piadas de humor negro com o caso. A coisa fica tão badalada que o fato em si se distancia do plano humano e vira mídia. Nem parece real. Vira play station. Vira página da web e Jornal Nacional... Um "terremoto" que ninguém sente de verdade.

Quando o Oliver Stone fez o "Assassinos por Natureza", a sensação foi um pouco essa. É tanta violência que anestesia, é tanto sensacionalismo que distancia, parece. Desgasta. Invade o privado, torna a dor íntima algo público, destrói a humanidade da coisa. A gente reage como tem que reagir, comenta o óbvio, ouve o óbvio, e segue para a próxima notícia. O regime da Ivete Sangalo, a aposentadoria do Romário, o Serra fazendo campanha no Nordeste, a Hillary e o Obama, a namorada nova do Ronaldo, o Lula com a Dilma à tira colo, o Fagundes na novela, e por aí vai...

Nesse meio tempo, contagem regressiva para o "Quixote" em Pouso Alegre - domingo próximo.
Será bom ver a peça novamente acontecendo. E a experiência de viajar para outra cidade levando um trabalho une vários elementos: mostrar o espetáculo para um público completamente diferente, sair da cidade, estar com o grupo em um contexto de trabalho mas que ao mesmo tempo tem seu lado divertido. Enfim, espero que tudo dê certo e seja realmente uma festa. A gente merece...

Dá a ligeira impressão que o teatro, que é arte, fica mais real que esse mundo midiático.
Será que é impressão minha? Acho que estou ficando alienado.

(foto: a imagem de alguém meio torto, deve ser pelos 5,2 Richter)

3 comentários:

Heloisa Lima disse...

não fico um diazinho sem passar por aqui. :-)

Kedma Franza disse...

Olha um texto a calhar: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=3&dia=22&mes=4&ano=2008

Mariana Viana disse...

Que venham os leõs, Ico!