
O ingresso mostra 17/04/07 às 21h, Teatro João Caetano.
Ficou colado na porta da geladeira. Exato um ano atrás. (São 0h28 mas o blogstpot acha que ainda é quarta-feira...)
Bom espetáculo. Me disse muito. Sobre várias coisas.
Sobre perda e ausência. Sobre o vazio. E sobre a necessidade de seguir.
E de não se contentar com o vazio. E talvez transformar a dor em algo Belo, não como um exercício de auto-comiseração, mas como uma resposta ao mundo, uma resposta de resistência, de insistência, de luta. Acho que foi isso que ela fez quando pensou em um trabalho depois da perda do pai.
Quando perdemos alguém querido é uma ferida que nunca se fecha. Ela pára de doer como no início, talvez até nos acostumemos com ela, mas ela está lá. E vai estar, sempre.
Inútil tentar preencher esse vazio. Mas podemos conviver com ele e não desistir.
Quando enfrentamos nossas perdas é fácil se revoltar, é fácil virar as costas a tudo ou achar que o mundo é mau. Uma fase, talvez inevitável.
Minha maior perda aconteceu há cinco anos já. E deixou um buraco.
Mas o mundo não ficou melhor nem pior: para mim, claro, piorou, mas para mim.
Continua existindo fome, dor, crueldade, bondade, flores, sorrisos, amor, ódio, tudo isso. O sol aparece todo dia, depois vem a lua, as estrelas brilham do mesmo jeito, mesmo que mortas, os pássaros cantam - as vezes de manhãzinha quando estou voltando para casa e acho um saco - etc, etc, etc.
Perdas e mais perdas se seguem. E podemos admitir que é assim e viver uma vida de resignação ou de sacrifício. Mas há uma saída.
Sem querer ser piegas, o que eu acho que a Denise fez foi um ato de amor.
No sentido mais amplo da palavra, mais puro, mais verdadeiro. Transformou sua dor em uma ação que chegou até as outras pessoas não apenas no sentido de comover com sua história, mas capaz de despertar e tocar nos outros as suas próprias histórias. Isso é maravilhoso.
E passado um ano, o espetáculo deixou marcas por aqui. E a certeza de que deve haver cuidado com aquilo que se ama, porque o mundo é cheio de armadilhas, de encruzilhadas e de desvios.
Apesar de que as vezes a distância mais curta entre dois pontos seja um labirinto.
Existem perdas que são inevitáveis, outras que podemos evitar.
Para D. Maria Natalina Piazentin, perda que não deu para evitar.
Que me ensinou que a vida pode ser preenchida com esse amor genuíno.
Onde quer que esteja, me ajude a não esquecer isso.
Sempre.
4 comentários:
Isso é que é conexão! Passa no meu Blog! Adorei o que escreveu, sempre uma inspiração!
é ,meu amigo...adorei o que acabei de ler.Vim fazer minha costumeira vizitinha,já que tem sido impossível falar com vc e acho que lí algo que foi escrito pra mim...momento mais oportuno para isso impossível...pequenos e absolutamente inesquecíveis momentos mágicos...e uma choradeira inevitável(do latente ao manifesto em 5 segundos)...Está feito,foi lido e agora é sentido...lindo isso!
bjos.
o beijo no ponto na esquina,perto do ponto de ônibus
Saudade desse e de todos.
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