
Segunda-feira, ida ao Gemini para ver as 21h10 o "A Vida dos Outros", que esteve em cartaz em São Paulo desde o ano passado e eu, claro, deixei passar. Ou quase passar. Ontem, me redimi.
O filme fala da política de vigilância que a Stasi mantinha na Alemanha Oriental, em especial sobre intelectuais e artistas que poderiam estar "traindo o socialismo" ou aproximando-se e propagando valores ocidentais. Na trama, as figuras centrais são um oficial da Stasi e seu "objeto de pesquisa", o mais importante dramaturgo do país.
Bom filme. Mas a questão não é fazer uma crítica do filme.
É quem sem Stasi nenhuma, muitas vezes nos sentimos assim. Como se tirassem de você o direito de ter uma vida, de ser um ser humano normal, e pronto. De serem respeitados os seus sentimentos, desejos e falhas, sem julgamentos ou expectativas já direcionadas. Claro que não vão (espero) colocar escutas na sua casa ou grampear o seu telefone, mas muitas vezes acontece de você se ver numa situação em que, quando você menos espera, vira pauta.
Quem deu aula, por exemplo, sabe disso. De teatro então, pior ainda.
Eu costumo dizer que gostaria de ter a vida sexual que os porteiros dos prédios onde eu morei pensam que tenho. Ou então ter realmente me relacionado com todas as pessoas que uma parte do corpo discente dos lugares onde dei aula falam que me relacionei (ok, tiremos os homens dessa lista, já que no nosso meio o termo "pessoa" é dúbio).
Na verdade nem nisso. Não estamos em um abatedouro nem contando o número de inimigos vencidos, no estilo Barão Vermelho na primeira guerra mundial. Ou computando vitórias.
A questão é que somos humanos. E tem gente que espera que você não seja. E sente inveja, ou ciúme, ou decepção por você não cumprir à risca o papel de herói talvez. Ou de um ser idealizado.
Você pode ser professor, diretor, artista em geral, alguém que está, em algum contexto, em uma posição pública. Muito bem. Para decepção geral, infelizmente você também faz cocô, faz xixi, acorda descabelado, tem dias bons e ruins, fica doente. E até se apaixona, olha que pecado.
Você é um ser humano como qualquer outro, e a posição de herói nunca foi um desejo seu.
"Educar" também deveria pleitear o "mostrar-se humano".
A vida não é dos outros. Cada um tem a sua. E já dá tanto trabalho...
3 comentários:
Eu avisei pra vc assistir. Bem avisei. Bem sua cara. (Tenho que vir aqui cuidar da sua vida pra não perder totalmente o hábito...)
Beijo, nêgo.
Tá primeiro, postei. Pronto atualizado! oO...
Segundo, assim não vale a 2° parte do icaro é MUITO maior que a 1° e bateu uma puta preguiça, sem contar os sites que agente ve ao mesmo tempo (detalhe não estou no msn, pq ai não teria lido nem a primeira parte.)
Terceiro, seu ego tem te ligado ultimamente? Pq afinal de contas as pessoas sentem falta né oO
...
Tenho um texto pra te mandar, espero que você goste.
abraços.
*
:-)
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