
Segunda-feira com cara de domingo, então foi uma coincidência ter visto (de novo) esse filme ontem. "Num Domingo Qualquer", do Oliver Stone. A fala do Pacino, bem no estilo "discurso motivacional americano", está aí, livremente traduzida:
"Eu não sei muito bem o que dizer, na verdade...
Três minutos para a maior batalha da nossa vida profissional. Tudo acontece hoje.
Nós precisamos nos curar, como um time, ou afundamos: centímetro a centímetro, jogada a
Três minutos para a maior batalha da nossa vida profissional. Tudo acontece hoje.
Nós precisamos nos curar, como um time, ou afundamos: centímetro a centímetro, jogada a
jogada, até o final.
Nós estamos no inferno agora, cavalheiros, acreditem. Nós podemos ficar aqui, afundados na
Nós estamos no inferno agora, cavalheiros, acreditem. Nós podemos ficar aqui, afundados na
merda, ou nós podemos encontrar nosso caminho de volta, até a luz.
Podemos escalar o nosso inferno. Um centímetro por vez.
Eu não posso fazer isso por vocês, estou muito velho.
Eu olho essas caras jovens e penso: eu fiz todas as escolhas erradas que um homem da minha
Podemos escalar o nosso inferno. Um centímetro por vez.
Eu não posso fazer isso por vocês, estou muito velho.
Eu olho essas caras jovens e penso: eu fiz todas as escolhas erradas que um homem da minha
idade pode fazer: eu desperdicei todo o meu dinheiro, acreditem. Eu afastei de mim todos os que
me amaram. E finalmente, eu mal posso encarar o sujeito que eu vejo no espelho.
Quando envelhecemos, as coisas são tiradas de nós. Isso é parte da vida.
Mas você aprende, quando começa a perder as coisas, que a vida é um jogo onde os centímetros
Quando envelhecemos, as coisas são tiradas de nós. Isso é parte da vida.
Mas você aprende, quando começa a perder as coisas, que a vida é um jogo onde os centímetros
contam. Como no futebol.
Nos dois jogos, no futebol e na vida, a margem de erro é muito pequena. Um centímetro a mais
Nos dois jogos, no futebol e na vida, a margem de erro é muito pequena. Um centímetro a mais
ou a menos e você não consegue.
(...)
Em qualquer luta, o sujeito que vence é aquele que está disposto a morrer."
(...)
Em qualquer luta, o sujeito que vence é aquele que está disposto a morrer."
Tá. E daí?
Sei lá. Acho que estou sentindo falta das parcerias, por isso a fala me chamou a atenção. Sem esse papo norte-americano de "lembre-se do Álamo" ou do heroísmo dos times de basquete e futebol que os filmes mostram. Mas parcerias. O lance de olhar no olho e ver um companheiro de luta, qualquer luta. Gente dividindo um sonho. Parece piegas, mas eu faço um trabalho que é coletivo.
Quando eu era pequeno, gostava de brincar sozinho com bonequinhos. Soldadinhos, super-heróis de plástico, playmobil (mais ou menos nessa ordem cronológica). Eu ficava inventando bases secretas, armando cenas com eles, e depois de tudo "pronto" era o trabalho de guardar na caixa de brinquedos.
Na biografia do Flávio Rangel, ele conta que na primeira peça que dirigiu ele pensou em toda a movimentação com soldadinhos de chumbo, porque o Adolfo Celli fazia isso. E eu me vi, com sete, oitos anos, brincando com meus bonequinhos.
Bom, hoje os bonequinhos são gente em escala real e não se brinca com eles. Espera-se deles que tenham parceria, que tenham propostas, que dividam um sonho e que não queiram apenas ser manipulados.
Chega de brincar sozinho.
Acho que o Pacino tem razão.
É muito mais fácil encontrar a saída do inferno em um time do que sozinho.
Mas o teu companheiro te dá motivação.
Não te carrega no colo, nem espera que você carregue ele.
Aos poucos vamos reagrupando o time.
Um comentário:
Velho Marujo eu tou aqui!
qdo eu era pequena a música mais triste do mundo era a do Soldadinho de chumbo que afundava sozinho no fundo do mar.
Postar um comentário