
"Gregor rastejou um pouco mais e colocou a cabeça o mais perto possível da porta, para que seus olhares se encontrassem. Será que ele não passava de um animal, embora a música o emocionasse tanto? Parecia que ela lhe abria um caminho rumo a um alimento desconhecido pelo qual ele tanto ansiava."
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Vazio

terça-feira, 28 de outubro de 2008
O teatro. E o Teatro.

Aí está ele. Nossa melhor definição de "palco italiano".
Fugimos dele. Queremos a arena, o espaço alternativo, os galpões, a proximidade não estratificada socialmente com o público.
Fugimos dele porque achamos que é velho, ultrapassado talvez.
Porque cheira a Ibsen e Tchekov, porque cheira a ópera do final do século XIX.
Porque é habitado por fantasmas que cantam à noite, porque tem lugares mais baratos porque a visão é prejudicada, porque ao invés de campanhia tem como sinais as luzes que enfraquecem e voltam, em resistência.
O teatro municipal e o Teatro. O edifício e a Arte.
Mas tem um momento onde tudo se encontra. O palco italiano não é a única forma de dizer o que se quer dizer. Mas pode ser uma das formas, ainda hoje. E não precisamos fugir.
Teatro é bom quando se tem amigos. É possível fazer amigos no Teatro, mas é perigoso querer fazer Teatro com amigos, no sentido de inverter a ordem das coisas. Tenho excelentes amigos que fiz no Teatro e que hoje não trabalham mais comigo. Porque percebemos que nossa praia era outra e, longe de desconsiderar o trabalho de um ou de outro, descobrimos que o melhor lugar para desenvolver nossa amizade não era no palco.
Tenho excelentes pessoas a minha volta que trabalham muito bem comigo em cena. Mas que não saímos para tomar cerveja. E a parceria é boa. Talvez nossa amizade flua mais em sala de ensaio que fora dela. Tudo bem também. Melhor, talvez - pensando no Teatro. Como se o Teatro fosse uma família. Tem irmãos, primos, tios, pais, mães, etc. Naquele almoço de família, nem sempre é com a sua mãe ou com seu irmão que o assunto corre melhor. E a conversa é mais interessante as vezes com os primos distantes que com aqueles que você vê todo dia.
O problema não é o palco italiano. Ele foi usado tanto por Stanislavski quanto por Brecht. Por Copeau e por Bob Wilson. O problema é que pensamos e o que queremos fazer com ele. Não necessariamente ele guarda uma visão de mundo. Não é o processo colaborativo nem o espaço alternativo que farão do trabalho algo renovador. É em como encaramos o Teatro.
Para que estamos ali?
O Teatro é necessário?
Eu sou necessário para ele?
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
parte dois, primeiro ato
Lá estamos nós. Dos cento e poucos inscritos, restam trinta e oito. E desses, oito não aparecem e quatro - pelo que consta - chegam atrasados e não podem entrar. Pelo vidro da porta vemos colegas esbaforidos chegando menos de cinco minutos atrasados e serem barrados. Não sei o quanto cada um ali apostou nisso, pôs suas fichas na possibilidade de uma nova carreira, mas é frustrante. No mínimo. E apesar das justificativas todas, da necessidade de não abrir precedentes, etc, fica aquele gostinho das "pequenas autoridades" no ar...
Entre o "jeitinho" e a exceção possível e humana, deve haver um caminho... Um meio termo possível.
Não, minha voz não se levantou. Menos por covardia que pela certeza da inutilidade do gesto. Traria apenas a sensação de que quis cometer um ato de heroísmo. Exibição.
Mas ficou ecoando aqui.
Prova interessante - um tanto subjetiva, não dá para saber se se foi bem ou não.
Perfil? Que perfil, se não se sabe ao certo as atribuições e o que se espera desse cargo?
Sabe-se lá. Tomara que não esperem gritos. Esse falhou.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Uma questão metafísica - o sentido da vida
("eu acho que algumas vezes eu busco o sentido nos lugares errados...")terça-feira, 21 de outubro de 2008
Sobrenatural parte 2
Não, esta imagem não suscita nada de sobrenatural mesmo.Mas olhe com atenção. A velhinha à esquerda, não parece com aquela que te pediu para ajudá-la a atravessar a rua porque não enxergava direito?
O policial que segura o cacetete, com tantos outros que direcionam o seu olhar justamente para quem não parece oferecer risco - no caso, o camarada lendo - ao invés de inibir o delito iminente?
O sujeito de mala que cruza com a mulher boazuda - com certeza olhará para trás depois que ela passar por ele. Até a campanha "Vá ao Teatro" aparece aí. A diferença é que o homem de chapeu parece interessado.
Mas existe um componente interessante nisso tudo, o quanto não damos mais bola para o cotidiano. Os pequenos momentos que passam por nós, que de tão naturais não são dignos de atenção. Os pequenos encontros, especialmente os possíveis que não saem do universo do "quase", pela falta de atenção que damos. A falta de atenção.
Já se falou muito sobre "efeito borboleta" e coisas assim. E acho que esses dias eu mesmo citei o Garcia Márquez aqui, com o "é a vida, mais do que a morte, a que não tem limites". Pois esse é componente sobrenatural. Acho que foi Santo Agostinho que disse que o "sobrenatural não é o que é contra a natureza, mas sim contra o que conhecemos da natureza", ou algo assim.
E os fantasmas e espíritos e alienígenas e energias e deuses se transformam na brisa e no movimento do vento e das borboletas que não paramos para enxergar mas que nos tocam, de alguma forma.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Piazentin e o sobrenatural

quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Tango e afins

domingo, 12 de outubro de 2008
y cuando me pierdo en la ciudad
Te vi... contabas margaritas del mantel
Ya se que te trate bastante mal,
no se si eras un angel o un rubi
O simplemente te vi.
Te vi, saliste entre la gente a saludar
Los astros salieron otra vez,
la llave de mandala se quebro
O simplemente te vi.
Todo lo que diga esta de mas,
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad,
tu ya sabras comprender
Solo un rato no mas, tendria que llorar o salir a matar.
Te vi, te vi, te vi... yo no buscaba nadie y te vi.
Te vi... fumabas unos chinos en Madrid
Yo se que hay cosas que te ayudan a vivir
no hacias otra cosa que escribir
Y yo simplemente te vi.
Me fui... me voy, de vez en cuando a algun lugar
A nadie le hace gracia este pais...
Tenias un vestido y un amor... yo simplemente te vi.
Todo lo que diga esta de mas,
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad,
tu ya sabes comprender... solo un rato no mas,
tendria que llorar o salir a matar...
Te vi, te vi, te vi... Yo no buscaba nadie y te vi.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Lear

quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Ontem, hoje, sempre

terça-feira, 7 de outubro de 2008
Keep Walking

segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Você sabia que uns 70% dos brinquedos agora são à pilha?

A maioria esmagadora dos brinquedos agora é à pilha.
Bonecas que choram, fazem "cocô de verdade", cachorros que gemem quando você faz carinho, robôs que acompanham sua vida, etc. Dá-lhe Energizer, Duracell e afins.
Crianças, não comam as pilhas, por favor.
Já imagino a filha falando: "Pai, me dá a boneca que faz cocô?" (R$ 500,00)
"Brinca com a sua irmãzinha querida, ela também faz e é de graça."
Esse aí em cima é o Elmo.
Ele é um boneco (by Vila Sésamo) que ri. Só isso.
Você acha bobo. Mas depois de uns segundos vendo ele se estropiar no chão, batendo as pernas e rolando, você começa a rir também.
E é bom rir.
Parafraseando o Beckett: "A gente ri, com vontade, e aos poucos vai ficando feliz de verdade." Algo como um "Anti-Fim de Partida".
Porque ter um blog não é só querer postar textos inteligentes mostrando como a humanidade é podre e a vida não vale a pena.
Vale a pena sim. Vale a pena olhar para os outros e tratá-los de forma com que a gente gosta de ser tratado. E falar bobagem. E se divertir. E ter o melhor final de semana em muito tempo e dizer isso. Ser um pouco Elmo.
Ah, passei na primeira fase do concurso... Quem sabe não largo tudo, compro um boneco Elmo e vou pra Bauru?
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
USP, TUSP, POLI e afins
Hoje prestei o concurso na USP para "Orientador de Arte Dramática". Trabalho vinculado ao TUSP, não necessariamente em São Paulo. Vagas em Bauru e Piracicaba também.
Chego lá e encontro todo mundo, quase literalmente: ex-colegas de ECA, colegas do Macunaíma, ex-alunos do Macunaíma e da São Judas, amigos, amigos de amigos, etc. A classe artística é uma pequena cidade do interior. A diferença é que é uma cidade de desempregados ou semi-desempregados ("autônomo" no meio teatral é meio isso, no final das contas).
Toda vez que aparece um edital, um concurso ou uma lei de incentivo vamos todos. Querendo uma luz no fim do túnel. Gente com competência, adaptando-se, mutando-se, buscando dignidade e condições de trabalho, sempre. Auto-produzindo-se.
É bom e triste o encontro. Ao mesmo tempo.
E vamos lá, prova de 50 questões de múltipla escolha, quatro horas de duração, na Poli.
Tem algo menos teatral que a Poli? Acho que muitos ali - incluindo eu - nunca haviam pisado na Politécnica.
Antes, um café. E passam graduandos de camiseta da seleção brasileira, bermudão, chinelo.
Meu Deus. Se eu passar em Letras, vou ter paciência? Vamos lá, vamos lá.
Terminadas as múltiplas escolhas, saio logo. Não tenho paciência de ficar considerando mil possibilidades, chego até a usar a lei das probalidades nas duas últimas dúvidas que restavam - se deu muito "E" e "D", com certeza essa é "B" - questões sobre leis... Termino a prova e entrego no prazo mínimo de uma hora. Assino a lista de presença e me vou. Fico esperando Laura e Renata, companheiras de Macunaíma e de carona saírem.
Ontem me rendi ao "Shakespeare Apaixonado" e revi o filme. Bom. Deixando de lado o purismo e a chatice, longe de conferir a ele o Oscar - tá, como se o Oscar fosse alguma coisa séria... - é um divertimento gostoso. A reconstituição do teatro elizabetano, o lado ficcional da figura de Shakespeare como personagem e o clima do filme são muito bons... Se eu não fosse um sujeito muito truculento diria que é quase emocionante o voto de fé no teatro e na arte que em muitos momentos exala da produção. Mas como sou um sujeito duro e frio, vou dizer que é piegas e superficial. Mas no todo, um filme bem feito sim.
(meu computador agora desliga sozinho. hoje é domingo e posto o rascunho salvo de sexta)
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
"Fazendo as sinapses"
A realidade não precisa ser um quebra-cabeça onde só a percebemos depois de juntarmos as peças. Ela é, está aí, as vezes quem olha para o mundo como um quebra cabeças o faz porque quer montar um quadro diferente do que é, na esperança de novas peças surgirem ou das mesmas se modificarem, revelando novos encaixes. Mas a realidade está aí. Anterior à nossa vontade de desomntá-la em pedaços para juntar na esperança de que voltem diferentes.
E depois do quadro montado, olhamos a figura. É a mesma, é a mesma. Não adianta o nosso esforço em querer ver algo diferente. Se nos dá montanhas, nuvens, mar é isso: montanhas, nuvem, mar. Podemos apenas olhá-lo de forma diferente, mas é ele.
Não mudamos o que vemos. Podemos olhar de forma diferente.
E podemos virar a cabeça e aproveitar os 360º que o mundo oferece.