
Dentre as coisas que mais me chamavam a atenção na aurora da minha vida, na minha infância querida que os anos não trazem mais está tudo o que pode ser ligado ao sobrenatural. Eu achava o máximo as histórias de fantasmas, civilizações perdidas, mistérios do além e afins.
Eu lia "Kripta", colecionei "As Ciências Proibidas", lia tudo do Papus, tive uns três baralhos de tarot diferentes, fiz a "brincadeira do copo" (oui-ja, e deu certo!), tive sonhos premunitórios e no quesito esquisitices só não vi fantasmas nem seres extra-terrestres.
Ficava pensando se há algo depois da morte, no sentido da vida e nas possibilidades de contato com o além. Aos doze anos mais ou menos escrevia em um bloco considerações sobre as pirâmides do Egito, a reencarnação e a possibilidade quase certa dos ETs. terem feito os moais da ilha de Páscoa e o Stonehenge. Fui em um Centro Espírita, frequentei a Igreja Presbiteriana e vi gente receber santo.
Bom, depois de um tempo dá uma certa preguiça. Por um lado porque a vida cotidiana e pé no chão começa a exigir outras coisas de você. Por outro, porque existe uma certa humildade, acho, numa postura um pouco agnóstica - se existe algo "sobrenatural", por definição você não compreende mesmo, já que nem a natureza a gente consegue compreender, quanto mais o que está acima dela... Então, cuidemos daquilo que podemos tentar entender e vamos torcer para que o que está acima de nós tenha paciência com a nossa humana ignorância.
Outra coisa que dá preguiça é aquela aura de misticismo que cerca quase tudo o que poderia ser estudado e discutido com mais seriedade. Ou a suposta seriedade de pensamentos que partem de uma lógica até razoável mas resumem tudo a um ponto de vista superficial e tolo, no estilo "O Segredo" (quero uma Ferrari... quero uma Ferrari... quero uma Ferrari... Opa, olha ela na minha porta!)... Uma roupagem holística para um tipo de preocupação capitalista e consumista ao extremo. Parece que o velho xamã que fazia truques para encantar sua tribo ainda está escondidinho, pronto para saltar e dar um show em troca do assombro e se possível de doações dos fiéis, palestras pagas a peso de ouro, prestígio, etc...
Depois escrevo mais sobre isso.
Não, não vi fantasma essa noite.
Por que resolvi falar sobre isso? Sei lá.
4 comentários:
Gostei mesmo do texto, Piazentin. Só tenho medo dessa foto aí. E um dia eu te conto a história da Tânia.
*
Pensativo o texto!
^^
Um dia um cara que se dizia Atéu, que só acreditava no que a ciência comprovava me questinopu quando eu falava de Auras...
A resposta eu nunca esqueci:
"Já que acredita tanto na ciência, sabe que já foi comprovado que temos um campo eletromagnético em volta do corpo, isso é o que eu chama de aura e outras pessoas chamam de chama, ou campo eletromagnético, quanto a cor que ela pode ter, assim mesmo como a fisíca já explicou, enxergamos as cores de acordo com a frenquência que um eletron vibra, e como em todo campo eletromagnético tem eletrons, por que essa "aura" não podem ter cor?"
Postar um comentário