Não, esta imagem não suscita nada de sobrenatural mesmo.Mas olhe com atenção. A velhinha à esquerda, não parece com aquela que te pediu para ajudá-la a atravessar a rua porque não enxergava direito?
O policial que segura o cacetete, com tantos outros que direcionam o seu olhar justamente para quem não parece oferecer risco - no caso, o camarada lendo - ao invés de inibir o delito iminente?
O sujeito de mala que cruza com a mulher boazuda - com certeza olhará para trás depois que ela passar por ele. Até a campanha "Vá ao Teatro" aparece aí. A diferença é que o homem de chapeu parece interessado.
Mas existe um componente interessante nisso tudo, o quanto não damos mais bola para o cotidiano. Os pequenos momentos que passam por nós, que de tão naturais não são dignos de atenção. Os pequenos encontros, especialmente os possíveis que não saem do universo do "quase", pela falta de atenção que damos. A falta de atenção.
Já se falou muito sobre "efeito borboleta" e coisas assim. E acho que esses dias eu mesmo citei o Garcia Márquez aqui, com o "é a vida, mais do que a morte, a que não tem limites". Pois esse é componente sobrenatural. Acho que foi Santo Agostinho que disse que o "sobrenatural não é o que é contra a natureza, mas sim contra o que conhecemos da natureza", ou algo assim.
E os fantasmas e espíritos e alienígenas e energias e deuses se transformam na brisa e no movimento do vento e das borboletas que não paramos para enxergar mas que nos tocam, de alguma forma.
Um comentário:
Mesmo porque se você fosse dar atenção a tudo que ocorre em seu entorno, ficaria louco e perderia seu ônibus...
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