A classe artística vive com pires na mão. Uma pena.
Hoje prestei o concurso na USP para "Orientador de Arte Dramática". Trabalho vinculado ao TUSP, não necessariamente em São Paulo. Vagas em Bauru e Piracicaba também.
Chego lá e encontro todo mundo, quase literalmente: ex-colegas de ECA, colegas do Macunaíma, ex-alunos do Macunaíma e da São Judas, amigos, amigos de amigos, etc. A classe artística é uma pequena cidade do interior. A diferença é que é uma cidade de desempregados ou semi-desempregados ("autônomo" no meio teatral é meio isso, no final das contas).
Toda vez que aparece um edital, um concurso ou uma lei de incentivo vamos todos. Querendo uma luz no fim do túnel. Gente com competência, adaptando-se, mutando-se, buscando dignidade e condições de trabalho, sempre. Auto-produzindo-se.
É bom e triste o encontro. Ao mesmo tempo.
E vamos lá, prova de 50 questões de múltipla escolha, quatro horas de duração, na Poli.
Tem algo menos teatral que a Poli? Acho que muitos ali - incluindo eu - nunca haviam pisado na Politécnica.
Antes, um café. E passam graduandos de camiseta da seleção brasileira, bermudão, chinelo.
Meu Deus. Se eu passar em Letras, vou ter paciência? Vamos lá, vamos lá.
Terminadas as múltiplas escolhas, saio logo. Não tenho paciência de ficar considerando mil possibilidades, chego até a usar a lei das probalidades nas duas últimas dúvidas que restavam - se deu muito "E" e "D", com certeza essa é "B" - questões sobre leis... Termino a prova e entrego no prazo mínimo de uma hora. Assino a lista de presença e me vou. Fico esperando Laura e Renata, companheiras de Macunaíma e de carona saírem.
Ontem me rendi ao "Shakespeare Apaixonado" e revi o filme. Bom. Deixando de lado o purismo e a chatice, longe de conferir a ele o Oscar - tá, como se o Oscar fosse alguma coisa séria... - é um divertimento gostoso. A reconstituição do teatro elizabetano, o lado ficcional da figura de Shakespeare como personagem e o clima do filme são muito bons... Se eu não fosse um sujeito muito truculento diria que é quase emocionante o voto de fé no teatro e na arte que em muitos momentos exala da produção. Mas como sou um sujeito duro e frio, vou dizer que é piegas e superficial. Mas no todo, um filme bem feito sim.
(meu computador agora desliga sozinho. hoje é domingo e posto o rascunho salvo de sexta)
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