... aí você ouve uma coisa um dia. Percebe outra, dias depois. Vai tendo, aos poucos, uma visão clara do que acontece em algum âmbito da sua vida, vai juntando os pedaços. Você percebe algo que poderia estar na sua frente mas que não se dava conta dele antes. E a sinapse se faz.
A realidade não precisa ser um quebra-cabeça onde só a percebemos depois de juntarmos as peças. Ela é, está aí, as vezes quem olha para o mundo como um quebra cabeças o faz porque quer montar um quadro diferente do que é, na esperança de novas peças surgirem ou das mesmas se modificarem, revelando novos encaixes. Mas a realidade está aí. Anterior à nossa vontade de desomntá-la em pedaços para juntar na esperança de que voltem diferentes.
E depois do quadro montado, olhamos a figura. É a mesma, é a mesma. Não adianta o nosso esforço em querer ver algo diferente. Se nos dá montanhas, nuvens, mar é isso: montanhas, nuvem, mar. Podemos apenas olhá-lo de forma diferente, mas é ele.
Não mudamos o que vemos. Podemos olhar de forma diferente.
E podemos virar a cabeça e aproveitar os 360º que o mundo oferece.
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