terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Feliz Natal


Contrariando o pessimismo geral que assola nossa intelectualidade de baixo clero, vamos ao resumo do ano de 2008. Sim amiguinhos, ele acaba melhor que começou, abrindo perspectivas novas para 2009. Hoje ainda é 16, mas não vou aparecer mais por aqui até no mínimo janeiro de 2009. O importante é seguir o exemplo do Johnnie, e keep walking.
1 - Sim, existem pessoas maravihosas perdidas por aí. Você é que estava meio cegueta.
2 - Dane-se se você está meio velho para vestibulares. O simples fato de prestar FUVEST é quase um regresso à infância, e passando ou não, ir para a segunda fase já é no mínimo aventura. Quase como ler "As Aventuras de Xisto" de novo. E se der um azar e passar, você pensa em como encaixar um curso de graduação no seu dia de 24h.
3 - As vezes você queima a língua achando que nunca passará em um concurso com 168 pessoas, com o agravante de que apenas as duas primeiras vagas dão direito a opção "São Paulo". E aí passa.
4 - Re-estrear a sua peça no Centro Cultural São Paulo em janeiro dá um fôlego inicial muito bacana para sua vida teatral.
Pois é.
Um pouquinho menos Kafka e mais Caco.
(piadinha infame, mas ok.)
Até 2009.
Feliz Natal!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Depois de segurar o pires

Em resposta ao meu post de semanas atrás, quando do concurso de Orientador de Arte Dramática do TUSP... Esqueci de comentar aqui que passei. Às vezes fica parecendo auto-promoção falar das coisas que a gente conquista... Mas escrever só contando as mazelas da vida e afins também é, no mínimo, um porre.
Como Ofélias e anônimos disseram sobre narcisismo e etc., talvez ter um blog já seja, pelo menos em parte, auto-promoção. Não sei. Gosto de pensar nesse aqui como um exercício de escrever para ninguém, ou para um alguém incerto, que talvez goste, talvez não do que leia. Mas isso é outra história.
Enfim, estava lá eu, de pires na mão, prestando o concurso na Poli. Passaram-se etapas, por fim meu nome surge na lista final. Por sorte, em uma posição que me dá o direito de optar por São Paulo e a quase ceterza de não passar e as longíncuas Piracicaba, Ribeirão e Bauru ficam para trás... Um misto de surpresa, alegria e incertezas - mas positivas - se abre.
Segunda feira tudo deve ficar mais claro. Até lá... A vida segue ser curso!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mercedes Benz


"Oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz?
My friends all drive Porsches, I must make amends.
Worked hard all my lifetime, no help from my friends,
So Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz?
"

Eles se conheceram no trabalho dela. Ela perguntou o que ele faria depois, ele disse que não tinha compromisso e ela falou que sairia com um grupo de amigos mais tarde, depois do expediente.
Ele aceitou. Foram à uma boate. Saíram de lá com o dia quase amanhecendo.
Ela tinha um Mercedes branco. Deixou que ele dirigisse.
Com os passarinhos cantado foram até o Morumbi, em uma praça próxima do estádio.
Viram o dia nascer ali, sentados lado a lado, na praça.

Talvez eles jamais tenham conhecido a música.

Letra: Janis Joplin
Foto: Mercedes branco, talvez parecido com o que minha mãe tinha na década de sessenta, antes de eu ter nascido e que as vezes meu pai guiava.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quase-evangélico


Outro dia eu andava pela rua e ouvi a seguinte pérola, à frente um bar, 9 da manhã:

- Beber? Eu não, não bebo! Sou quase evangélico.

Pensei o que seria um "quase evangélico". Porque o "católico não-praticante" é conhecido, mas o "quase evangélico" para mim é novidade.

Não contente com a pérola, o sujeito ainda completa, sem me dar tempo para chegar à alguma conclusão com sua primeira frase:

- Sabe por causa de quem? Por causa dessa, aí - e aponta uma mulher ao lado dele, que sorri orgulhosa de ser o motivo da "quase conversão".


Apesar de um sorriso matreiro de "quase convertido", certamente o camarada modificou alguma coisa de sua pregressa - que deveria ser bem mais mundada, ao menos pelo teor alcoólico e tomou jeito, ou "quase tomou jeito" (supondo que ser evangélico seja tomar jeito) por causa da mulher. Na verdade ele deve ser um mentiroso contumaz que no seu "quase" tem na verdade esperança de aos poucos, com bom humor e uma pitadinha de cafajestada converter, ele sim, a tal evangélica. Mas mesmo essa opção, se realmente acontecer, serve aos propósitos deste texto.


Os individualistas de plantão que me perdoem, mas sim, muitas vezes mudamos, não pelas pessoas, mas por causa das pessoas. Achar que o ser humano é cristalizado aos 20, 30, 40 ou 50 anos, que já "temos nossa personalidade acabada", que "não podemos mudar", etc... é uma grande besteira. Só os prepotentes acreditam que não tem nunca algo à transformar, ou os imbecis egoístas que levantam a bandeira do "querem gostar de mim, vão ter que gostar do jeito que eu sou". O que é "do jeito que eu sou, meu Deus"?


Certo, existem determinados valores, crenças, particularidades que são complicadas de serem transformadas. Mas o ser humano pode se reinventar e se desenvolver, e muitas vezes a tal defesa da "personalidade" nada mais é que ego. Muito ego. Muito individualismo e vaidade camuflados sob a máscara da "personalidade forte", da "individualidade", do relativismo - é certo "para mim", eu te amo "hoje", etc. O "universo-umbigo". Insegurança de se abrir para o novo. As relações humanas nos contaminam para bem e para mal, ninguém é uma ilha ou vive em uma torre de marfim - mesmo que a internet possa dar essa ilusão, de que o mundo virtual substitui a relação concreta, material, viva.


Se o camarada gosta mesmo da moça, bonito o esforço de deixar a pinga de lado - ao menos do lado dela - e agradar um pouco a bonita. Mas na via de mão dupla das relações, fica a torcida de que o batuta converta a evangélica e que ela sim, de vem em quando pelo menos, tome uma cervejinha.