Estava assistindo "Café Filosófico" com o Luiz Felipe Pondé, filósofo e meu ex-professor de Filosofia na FAAP (sim, cursei Cinema por dois anos em parcas eras, na época em que a FAAP ainda não havia se tornado um bunker da classe AAA) e o assunto era justamente o Trágico.
O herói trágico subverte pela coragem, única qualidade que resta em um mundo onde sabe-se que o destino irá prevalecer ao final. Ou seja, a luta contra ele é inglória. A Tragédia como oposto da Utopia.
Entretanto, vale a pena enfrentar esta luta, mesmo que perdida desde o início. Lembrei-me do texto de Camus sobre Sísifo, aquele que foi condenado a levar, eternidade à fora, uma pedra até o topo de uma montanha, para vê-la cair rolando e começar tudo de novo.
A condição do herói é justamente esta: lutar a luta perdida do destino.
Mas o destino nos impõe esta luta: um conflito eterno entre Eros e Tanatos, a pulsão de vida e de morte.
No final das contas é a catarse: só nos resta dizer sim à vida, com todos os seus elementos de dor e prazer...
"Gregor rastejou um pouco mais e colocou a cabeça o mais perto possível da porta, para que seus olhares se encontrassem. Será que ele não passava de um animal, embora a música o emocionasse tanto? Parecia que ela lhe abria um caminho rumo a um alimento desconhecido pelo qual ele tanto ansiava."
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
Antes da Tempestade
Ele sabia que a calmaria não iria durar muito.
Os céus começavam a encher-se de nuvens negras - cumulus nimbus, diria o velho - no prenúncio de uma nova tempestade. Não, não parecia uma daquelas tormentas para as quais se pode estar preparado. Olhou as próprias roupas e não sentiu-se nem um pouco protegido; antes, imaginou-se encharcado, coisa que aconteceria, com certeza, em poucos minutos, horas se tivesse um pouco de sorte.
Sem abrigo à vista. Sem proteção.
O velho não estava lá. Como todo bom filósofo de plantão, o grande filho da puta deveria estar em algum lugar por perto, bem resguardado, observando o cataclisma se formar de algum ponto privilegiado. Ver o circo pegar fogo de camarote.
Talvez coloque uma moeda no chapéu, ao fim do espetáculo.
Olhou mais uma vez o céu e mandou tudo à merda.
Foda-se. Que a chuva comece de uma vez.
Os céus começavam a encher-se de nuvens negras - cumulus nimbus, diria o velho - no prenúncio de uma nova tempestade. Não, não parecia uma daquelas tormentas para as quais se pode estar preparado. Olhou as próprias roupas e não sentiu-se nem um pouco protegido; antes, imaginou-se encharcado, coisa que aconteceria, com certeza, em poucos minutos, horas se tivesse um pouco de sorte.
Sem abrigo à vista. Sem proteção.
O velho não estava lá. Como todo bom filósofo de plantão, o grande filho da puta deveria estar em algum lugar por perto, bem resguardado, observando o cataclisma se formar de algum ponto privilegiado. Ver o circo pegar fogo de camarote.
Talvez coloque uma moeda no chapéu, ao fim do espetáculo.
Olhou mais uma vez o céu e mandou tudo à merda.
Foda-se. Que a chuva comece de uma vez.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Citando Lélia Campos citando Gikovate

"O bebê nasce chorando porque dói mesmo, não resta a menor dúvida de que nascer é uma transição pra pior! A criança se sente desamparada, e essa dor é amenizada com a atenção e cuidados da mãe, que passa ser “aquela pessoa especial cuja a simples presença já parece trazer boas-novas”.
Pois é, aí começam nossos problemas amorosos... que piora com a formação da individualidade. Porque nesse momento o desejo do aconchego (colo da mãe) passa a “brigar” com a individualidade (o brincar), que pressupõe descer do colo da mãe, ou seja, abrir mão do aconchego, da paz, em prol de um desejo individual.
Eu nem preciso dizer, que essas questões se repetem, se repetem ao longo de nossa vida adulta, só mudando os interlocutores, que substituímos por nossos parceiros amorosos.
Mas sem essa de “Amar a si próprio pra depois amor o outro”. Segundo o autor, e que eu concordo plenamente, costumamos confundir auto-estima, com amor. Mais um erro! “Auto-estima é um juízo de valor, e não um sentimento. O sentimento amoroso, em sua versão original é visceral, automático, relacionado com a simbiose uterina”
AMOR TEM OBJETO!!!!!! Quem ama, ama alguém (ou alguma coisa vai...)"
Reflexões de Lélia no blog "Meu Olhar" (dá uma olhada, o link está listado aí do lado)
Aprendendo com a Lélia:
1 - AMOR TEM OBJETO
2 - AUTO-ESTIMA NÃO É SENTIMENTO (NO MÁXIMO, EM EXCESSO, VIRA NARCISISMO)
3 - "Dar-se valor" não pode chegar ao extremo de se fechar para o que é externo
Medo de sofrer ainda mais?
Da rejeição?
Bem-vindo (tem hífen ainda?) ao mundo. A má notícia: para conseguir a felicidade precisa-se correr esses riscos todos. Senão você fica entricheirado e não vive.
Como diria o Zorba (o grego): "Você vai ter paz suficiente quando estiver morto, viver é meter-se em problemas."
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Rehab ou cata-palavras

Se a Amy Winehouse é imortal como parece, há esperança para a humanidade.
Sem contato nenhum com a vida saudável e adequada a um ser humano normal, nada parece abalar a moça.
É impossível ter certeza se acabou ou não para ela.
Cada vez que achamos que existe a iminência da notícia de morte, mais ela desafia os limites humamos.
Pare de esperar seu nome no obituário.
Sinto, penso e acredito que ela é imortal.
Está bem, muito bem e deve continuar assim pelo visto.
Desculpem-me os descréditos, mas apesar das crises e problemas ela parece seguir adiante: não tem raiva, nem mágoa, nem nada em relação à vida.
Só aceitem o fato de que não vai adiantar o Rehab.
domingo, 20 de setembro de 2009
Atum
O atum é um peixe que vive dentro de latas.
Dizem que ele também surge cru, fatiado, em restaurantes japoneses, mas quanto à isso há controvérsias. O atum real, do qual não temos dúvidas quanto à existência, atende pelo nome de Gomes da Costa ou Coqueiro. Destes existem registros amplos e inegáveis, testemunhas oculares e ampla divulgação na mídia impressa e afins.
Como já foi dito anteriormente aqui, peixes em geral nos tornam mais inteligentes. Assim sendo, o atum não poderia deixar de constar como uma das mais importantes fontes de neurônios adjacentes do ser humano. Uma lata de atum produz cerca de 10 milhões de neurônios imediatamente após o consumo. Quando em óleo comestível há estudos que comprovam a elevação deste número em 12,83%, com a inconveniência deles serem apenas temporários, ou seja, possuem uma ação benéfica nas sinapses de cerca de 32 horas em média. Depois, são eliminados nas fezes (83%) e na urina (17%). O neurônio lipo-solúvel do atum em óleo comestível, entretanto, pode criar uma relação mais duradoura com o cérebro se consumido a cada 32 horas, onde estudos comprovaram que ao longo de um mês a concentração permanente ganha fôlego, aumentando em 25%.
Já o salmão, seu suposto rival entre os crus, são saudosos ao paladar, o que por si só estimula a glândula pineal. Mas a alta concentração de recordações que são produzidas pela degustação pode causar efeitos colaterais graves, especialmente quando da evocação da Vila Madalena.
Por isso, no momento, a OMS recomenda o atum.
Em lata.
Dizem que ele também surge cru, fatiado, em restaurantes japoneses, mas quanto à isso há controvérsias. O atum real, do qual não temos dúvidas quanto à existência, atende pelo nome de Gomes da Costa ou Coqueiro. Destes existem registros amplos e inegáveis, testemunhas oculares e ampla divulgação na mídia impressa e afins.
Como já foi dito anteriormente aqui, peixes em geral nos tornam mais inteligentes. Assim sendo, o atum não poderia deixar de constar como uma das mais importantes fontes de neurônios adjacentes do ser humano. Uma lata de atum produz cerca de 10 milhões de neurônios imediatamente após o consumo. Quando em óleo comestível há estudos que comprovam a elevação deste número em 12,83%, com a inconveniência deles serem apenas temporários, ou seja, possuem uma ação benéfica nas sinapses de cerca de 32 horas em média. Depois, são eliminados nas fezes (83%) e na urina (17%). O neurônio lipo-solúvel do atum em óleo comestível, entretanto, pode criar uma relação mais duradoura com o cérebro se consumido a cada 32 horas, onde estudos comprovaram que ao longo de um mês a concentração permanente ganha fôlego, aumentando em 25%.
Já o salmão, seu suposto rival entre os crus, são saudosos ao paladar, o que por si só estimula a glândula pineal. Mas a alta concentração de recordações que são produzidas pela degustação pode causar efeitos colaterais graves, especialmente quando da evocação da Vila Madalena.
Por isso, no momento, a OMS recomenda o atum.
Em lata.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Hoje

Me parece que, mesmo que gostemos da chuva, têm dias em que ela nutre uma sensação um pouco depressiva. Ainda mais quando temos frio junto. Claro que tudo isso pode ser diluído por outras variáveis, mas no caso "standart" é um risco grande recair na sensação de vazio. Talvez o mundo - o planeta mesmo - sofra de bipolaridade: assim como em um mesmo dia temos as várias estações, elas podem também trazer várias sensações junto com elas. Hoje a sensação predominante - dentro e fora - é de outono, mas outono sem sol. Porque quando há sol, pelo menos as folhas caídas no chão cumprem um papel decorativo e menos filosófico: hoje se elas estivessem por aí significariam apenas morte. Antes do renascimento, inevitável. Um pouco antes.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Baphomet

Esta imagem é classicamente relacionada com a figura do demônio.
Entretanto, na tradição ocultista, Baphomet agregava outros sentidos que, por irem de encontro ao imaginário judaico-cristão geraram essa leitura. Segundo Eliphas Levy, mestre francês do começo do século XX, as características que podemos perceber na imagem são:
- Um bode que traz na fronte o signo do pentagrama, com a ponta para cima, o que é suficiente para fazer dele um símbolo de luz. O bode em diferentes mitologias - mas principalmente na grega - mais do ser simplesmente um animal "lascivo", representa o impulso de vida e é um dos mais sagrados no que diz respeito aos ritos;
- Com as mãos, ele faz o sinal do ocultismo ("Solve et Coagula") que nos lembra que "aquilo que está em cima é igual ao que está embaixo";
- O facho da inteligência que brilha entre seus chifres é a luz mágica do equilíbrio universal;
- A cabeça horrenda do animal exprime o horror do pecado;
- O caduceu, que está no lugar do órgão gerador, representa a vida eterna;
- O ventre coberto de escamas é a água;
- O círculo que está em cima é a atmosfera;
- As penas que vêm depois são o emblema do volátil;
- A humanidade é representada pelos seios e os braços andróginos desta esfinge das ciências ocultas;
Em resumo, o terrível Baphomet não é senão um hieróglifo inocente e até piedoso.
O Baphomet dos Templários, cujo nome deve ser soletrado cabalisticamente em sentido inverso, se compõe de três abreviações, Tem ohp ab, Templi omnium hominium pacis abbas, o pai do templo, paz universal dos homens...
As aparências enganam.
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