segunda-feira, 24 de maio de 2010

Olá

Tudo bem por aí?
Faz tempo que eu não escrevo para você, então esse é um "resgate" ou algo do tipo. Me disseram uma vez que usamos essa palavra - resgate - no sentido errado. Resgatamos algo quando há uma troca. Por exemplo, quando alguém seqüestra uma pessoa e pede um resgate, ele recebe algo para devolver algo (no caso, a pessoa em questão). Aí me pergunto: se é unilateral, é um "resgate"?
Talvez sim, mas sem pensar em receber algo, dou algo. Um "resgate unilateral". Ou então apenas esteja dando alguma coisa para receber, de mim mesmo, outra. Resgatando a mim mesmo, quem sabe - no sentido de mover-se para a direção correta.
Voltando. Faz tempo que não escrevo para você. Espero que esteja tudo bem por aí. Aqui, deste lado do globo terrestre que circunscreve minha pessoa, as coisas caminham bem. Tive um contratempo com o dedão do pé e um acúmulo de trabalho até o final do semestre, além de uma viagem frustrada que chegou e se foi de surpresa. De resto, tudo bem.
E você? Como está tudo por aí? Espero que tenha resolvido aquelas questões antigas e que tenha achado aquelas coisas que perdeu. Da última vez que nos vimos eu não comentei, mas tinha uma espinha perto do queixo - agora fico mais à vontade para falar - espero que ela tenha sumido. Tomou os remédios direitinho? Eu tive vários aqui de seis em seis, oito em oito, doze em doze horas. Segui à risca as indicações.
Não se renda ao esquecimento ou distração. Faz seu tratamento certinho.
Bom, depois escrevo mais. Tem um inseto monstruoso esperando.
Grande beijo

P.S.: Qualquer problema, quebre o vidro. Mas quebra com vontade sem medo dos cacos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lukánikos


Esta semana fiquei impressionado com o Lukánikos, o "cahorro anti-sistema" grego, que acompanha os manifestantes nas passeatas desde 2008. Puxa, minha gata perto do Lukánikos é de uma alienação política espantosa. Ela deitaria no colo do Maluf ou da Heloísa Helena, sem distinção. Ou ignoraria ambos. Com aquele jeito felino de estar acima do bem e do mal.
Quase fui à Grécia por esses tempos. Já estava imaginando meu encontro glorioso com o Lukánikos, ele deitadão, de barriga para cima, e eu afagando seu dorso até que alguém tirasse a foto histórica com meu ídolo. Lukánikos é mais que um cão, é uma instituição, uma bandeira que se estende mundo afora.
Toda a nossa política, nossa noção de cidadania, de ética, treme ao menor latido do Lukánikos. Do alto de suas quatro patas que perambulam pelo berço da democracia, ele urina galante sobre nossa pífia idéia de civismo. Lukánikos, o garboso vira-latas ateniense que pertence à estirpe de Argos, o cão mítico de Ulisses.