
Caminhei à noite, depois do meu compromisso com o príncipe da Dinamarca, no frio, em direção à vida que continua passeando pelo mundo. Não, o mundo não parou de dar suas voltas, nem a primavera deixou de vir - ainda que com ares de inverno - pelo contrário: nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.
Em meio às transformações o frio e uma garoa fininha cobriam os passos. Fiz uso de um taxi e me deparei com uma personagem: sujeito de olhos esbugalhados e jeito de sapo, falando gratuitamente sobre sua vida pregressa - com ênfase na parte sexual, digamos. Fingindo interesse sobre as peripécias de alcova do meu condutor-sapo, fui observando o caminho até chegar no destino. Uma festa de aniversário quase secreta.
E no meio de uma mistura de comemoração, frio e comédia stand-up, entra uma luz em forma de dragão rascunhado, reduzido a apenas uma linha.
O problema da frase da Clarice: "somos moços ainda, podemos perder algum tempo sem perder a vida inteira" é o risco de repeti-la até tornar-se velho mesmo. A vida não pára, o mundo não pára, o tempo não pára. Mesmo para os moços.
3 comentários:
Para de ler meus pensamentos!
Ontem, logo depois que atualizei o lauout do meu blog, colocando uma descrição logo abaixo do título, venho aqui e me deparo com a mesma frase da descrição no seu post.
Medo de você.
Ah. E vê se para de frequentar a Vila Olímpia, por favor.
Ops... é LAYOUT. Com ípsilon.
Será que é por isso que os "adultos" persistem chamando os jovens de inconseguentes? Será que no fim tuda essa superioridade na verdade é só inveja do tempo que o "adulto" não se deixa mais perder? Isso fica bem claro pra mim em Juno, não no filme em si, mas na maneira como ela lida com as coisas e da forma com que os "adultos" recebem...
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