terça-feira, 28 de outubro de 2008

O teatro. E o Teatro.


Aí está ele. Nossa melhor definição de "palco italiano".
Fugimos dele. Queremos a arena, o espaço alternativo, os galpões, a proximidade não estratificada socialmente com o público.
Fugimos dele porque achamos que é velho, ultrapassado talvez.
Porque cheira a Ibsen e Tchekov, porque cheira a ópera do final do século XIX.
Porque é habitado por fantasmas que cantam à noite, porque tem lugares mais baratos porque a visão é prejudicada, porque ao invés de campanhia tem como sinais as luzes que enfraquecem e voltam, em resistência.

O teatro municipal e o Teatro. O edifício e a Arte.
Mas tem um momento onde tudo se encontra. O palco italiano não é a única forma de dizer o que se quer dizer. Mas pode ser uma das formas, ainda hoje. E não precisamos fugir.

Teatro é bom quando se tem amigos. É possível fazer amigos no Teatro, mas é perigoso querer fazer Teatro com amigos, no sentido de inverter a ordem das coisas. Tenho excelentes amigos que fiz no Teatro e que hoje não trabalham mais comigo. Porque percebemos que nossa praia era outra e, longe de desconsiderar o trabalho de um ou de outro, descobrimos que o melhor lugar para desenvolver nossa amizade não era no palco.

Tenho excelentes pessoas a minha volta que trabalham muito bem comigo em cena. Mas que não saímos para tomar cerveja. E a parceria é boa. Talvez nossa amizade flua mais em sala de ensaio que fora dela. Tudo bem também. Melhor, talvez - pensando no Teatro. Como se o Teatro fosse uma família. Tem irmãos, primos, tios, pais, mães, etc. Naquele almoço de família, nem sempre é com a sua mãe ou com seu irmão que o assunto corre melhor. E a conversa é mais interessante as vezes com os primos distantes que com aqueles que você vê todo dia.

O problema não é o palco italiano. Ele foi usado tanto por Stanislavski quanto por Brecht. Por Copeau e por Bob Wilson. O problema é que pensamos e o que queremos fazer com ele. Não necessariamente ele guarda uma visão de mundo. Não é o processo colaborativo nem o espaço alternativo que farão do trabalho algo renovador. É em como encaramos o Teatro.

Para que estamos ali?
O Teatro é necessário?
Eu sou necessário para ele?

Um comentário:

Anônimo disse...

*
O teatro é uma morada da arte, a manifestação da arte, é o estar ali (resposta 1)

A arte é uma manifestação da vida, a nossa comunicação com o universo, ainda acredito que seja necessário...não é nem isso, ainda vale a pena (resposta 2)

espero e acredito q sim (resposta 3)