quinta-feira, 3 de abril de 2008

O dia em que um quibe venceu Calderón, Beckett e Cervantes


Quarta-feira: ensaio de "A Vida é Sonho", reunião do "Fim de Partida", ensaio "Quixote". E um quibe e um nescafé revelam-se uma combinação maravilhosa para acabar com seu estômago e comprometer sua participação em tudo isso...
É complicado querer ter uma companhia de repertório... E também é difícil simplesmente "enterrar" projetos. "Fim de Partida" estreou em 2006 (fizemos uma apresentação em Leme em dezembro de 2005, como ensaio aberto) no SESC Ipiranga. Depois participamos da Mostra Beckett 100 anos no SESC Santana. Seguiram-se temporadas no Centro Cultural São Paulo (ainda em 2006), no Teatro Julia Bergmann (2007) e agora no Denoy de Oliveira (UMES).
Muito bom, quatro temporadas. Quantos críticos assistiram a peça? Nenhum. Quantas matérias saíram em jornais? Nada. Ok, a BRAVO divulgou no mês da primeira estréia, mas a sensação é a de que "ninguém viu".
Enfim, dentre as milhares de coisas que acontecem em São Paulo, é normal que o espaço seja reduzido mesmo para todo mundo, já que sempre haverá um percentual disso reservado para od de sempre - isso não é um juízo qualitativo, mas uma realidade. Mas é triste você perceber que, para quem não tem muita paciência em fazer lobby, as coisas são difíceis. E você pode até fazer um bom trabalho, mas até ele ser reconhecido - se for - sente e espere. Ou desespere.
Amamos tanto o teatro que as vezes agimos como amadores mesmo. Não cuidamos da produção como ela deveria ser cuidada, ela vira uma espécie de "terreno baldio", onde as tarefas sobrecarregam uns poucos e os demais dividem o que sobra mesmo não tendo aptidão para isso. E no final fica a sensação de que tudo poderia ter sido mais.
E o pior de tudo é que por um quibe, o prazer de ensaiar - a nossa eterna compensação por tudo isso que não acontece - fica comprometido. Um quibe vence Calderón, Beckett e Cervantes.
Promessas de "ano novo": cuidar melhor da produção, estabelecer com clareza as responsabilidades de cada um.
E não comer quibe.
Foto: Natália Grisi (Clov) em "Fim de Partida"
by Marcelo Kahn

3 comentários:

Unknown disse...

Vencidos por um quibe? Se ao menos fosse um risoto...legal seu blog, adorei. Bj Maria Emília

Leco Vilela disse...

Então fica a dica, o quibe na realidade é só a farinha de quibe. A carne moida é o recheio, então experimente um quibe decente e assado, vc vai ver que nossa... sem sensações ruins provocadas pela fritura (independente de ter carne ou não, a primeira parte foi só curiosidades)! hoahoahoa... uma cultura inutil para infrentar o desanimo!

ps: o fim de partida continua ou é "RIP" mesmo?...

Aline Baba disse...

Kibe no more!

Mas tem gente que não rpecisa comer kibe pra estragar tudo.

Achoque oSancho vai começar a comer kibe em cena como metáfora da vida...