
Esse quadro sempre me gerou um incômodo. Por causa da girafa ao fundo em chamas.
Eu não sei muito bem o porquê, mas ele me incomoda. Como se alguma coisa estivesse errada.
Quem botou fogo na girafa? Será que ela se incendiou, como aquele monge budista em protesto contra a guerra do Vietnã? Eu não sei. Mas incomoda.
As imagens têm esse poder, muitas vezes. De nos incomodar. De traduzir para o consciente questões profundas que não são entendidas de forma racional, mas sentidas. Elas revelam alguma coisa de inesperado, de irracional muitas vezes, mas que são mensagens profundas que vão além. Como os mitos.
E a girafa pegando fogo.
Cadê o extintor de incêndio, meu Deus do céu!
Alguém faça alguma coisa!
E aparece uma pergunta: e se ela quis atear fogo no próprio corpo?
"- Girafa, não faça isso!
- Mas eu quero.
- Você está enganada, girafa...
- Não acho..."
A sorte é que esses animais possuem o pescoço longo, ou seja: aguentam o fogo durante muito tempo antes de ser tarde demais. E como são animais adoráveis, eu peço licença ao Dali para me colocar ao lado do quadro com um extintor de incêndio quando a dita cuja se arrepender ou quando precisar de uma mão amiga.
Continuo achando a girafa mais forte que o fogo.
3 comentários:
Com a girafa não!!! Adoro Dali, mas ele não podia colocar fogo neste ser tão encantador!!
é girafa, é rinoceronte, é aquel lagarto que chaveca a Quixotinha...e viva ao zoológico interno ^^
adorei!
Postar um comentário