
A legenda na UOL diz: "Em Karashi, Paquistão, homem trabalha em fábrica de ferro usando técnica artesanal".
Hoje é o Dia Mundial do Trabalho.
Evocar um termo como "sociedade capitalista" parece desgastado e lugar comum. Mas estamos nela mesmo. O trabalho é nossa razão de ser no mundo. Gastamos mais de um terço do nosso dia trabalhando para poder pagar as nossas contas. Mesmo quando nosso trabalho não nos impõe um horário rígido de oito horas diárias, geralmente ele ocupa a nossa cabeça com questões a serem resolvidas, preocupações, etc... que acabam nos prendendo a ele de qualquer forma...
E sempre a idéia da política de resultados. Produzir mais, ganhar mais, competir, provar pelos resultados a competência e assim garantir a sobrevivência, porque sempre existe outro que sim, aceitará o seu lugar de bom grado e rabinho entre as pernas.
A competição pelo "mais apto" avança para a criatividade, para a arte, para todos os ramos, porque o "lucrativo" é também o que dá notícia, o que dá público, o que gera visibilidade para a marca, etc...
A gente vive para trabalhar. Deixa o salário no banco, pagando contas, e se sente bem com isso até. Cidadão. Digno. Quando vemos alguém que consegue adaptar sua sobrevivência à uma realidade que possibilite o tal "ócio criativo", ele é vagabundo. Porque poderia estar produzindo mais. E mais. E mais.
Na Grécia a grande utopia era a de uma sociedade que aos poucos desobrigasse o homem do trabalho. Que ele conseguisse produzir o suficiente em quatro horas, por exemplo, e usasse o restante do tempo para a filosofia, para a troca de idéias, para a arte, para o desenvolvimento do espírito. Hoje isso é possível, mas as quatro ou cinco horas "restantes" são reaproveitadas para mais e mais produção. E o mundo vira um grande ganso preso a um funil onde é jogada comida para que o fígado cresça sem parar, até que ele arrebente.
E a gente acha certo. Porque virou uma engrenagem no meio disso tudo. E não tem como sair.
Quantas horas será que o camarada aí de Karashi trabalha por dia? Certamente ele não escolheu sua jornada de trabalho e o volume de horas que precisa cumprir está muito mais ligado à competição gerada pelas grandes fábricas do que a uma necessidade real, condizente com a época que as suas técnicas artesanais surgiram. Provavelmente deve ser meio cego, ter problemas de coluna e de hipertensão. No mínimo.
Uma pessoa que trabalha oito horas e demora umas duas horas para chegar no trabalho e outras duas para voltar para casa lê que horas? No ônibus lotado, de pé? No metrô, esmagada? Em casa, exausta? Essa pessoa curte sua família que horas? Depois do stress do trânsito? De uma tentativa de assalto? Que paciência ela tem com os outros? Que ânimo tem para sair, para namorar, para viver algo além da rotina do necessário?
Precisa haver uma saída. Em Karashi e aqui.
Enfim.
Feliz Dia do Trabalho.
P.S.: A gente faz teatro, se entope de aulas, de ensaios, de apresentações e existe sim prazer nisso - muito mais que as técnicas artesanais do sujeito acima - mas às vezes se esquece que a vida precisa acontecer fora das salas de ensaio... Saudade do Parque, de andar a pé no domingo a tarde, de passear a noite pela Paulista, de coisas assim.
2 comentários:
Terminei a Paixão, finalmente!!! Obrigada pela indicação, doeu mas valeu a pena!!
Beijos
é pois é!... Acho que ainda não sei o que é isso, ou até sei mais ainda não percebi! (sobre seu ps)
respirar é bom no fim das contas, hoje vou sair, assistir dois filmes do Truffaut acho que por 2 reais cada ou 2 reais os dois, ainda não sei bem, mas vou descer a agusta e depois voltar pra casa pra durmir, por que afinal as 7:00 eu to de pé e tenho ensaio as 8:00!
abraços.
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