
Conselhos inúteis. Que não serão seguidos. Acho.
Por mais que a experiência diga o contrário, acredite nas pessoas. Não em todas, mas na dúvida, deixe uma margem de erro para o lado positivo.
Eu nunca gostei de Física.
Um dia um professor de física no colegial (ok, ensino médio) aplicou uma prova e visivelmente dois alunos colaram. Ele olhou para eles e disse para a turma algo "Eu não tenho certeza se vocês colaram na prova. Mas enfim, eu opto por acreditar na honestidade do ser humano. Terminem a prova." Eu, que opto por acreditar, acho que para eles a lição foi melhor do que se tivesse tirado a prova. E tudo bem, pode ter sido uma atitude trivial, mas o fato de me lembrar dela até hoje (isso foi quando? 1989 mais ou menos?) já valeu.
Você é muitas vezes enganado ou passa por situações em que as pessoas te surpreendem.
Lida com expectativas suas e dos outros, com vontades e desejos. E pode optar por se isolar, se rebelar, odiar a humanidade ou acreditar nela. É pena desacreditar.
É pena enterrar os sonhos, é pena viver menos. Pensei nisso esses dias.
Eu acho que as pessoas podem ser pequenos tesouros. Cada uma guarda algum tipo de mistério e quando você está próximo delas te revelam algo sobre a vida e sobre você mesmo. Afastar-se delas é perder-se um pouco. É como se aquela sensação holística (sem esse papo de "O Segredo" não!) de que as coisas estão interligadas fosse algo concreto mesmo.
Infelizmente já me afastei de muita gente. Por opção ou não, por força maior ou por desencontros. E sei que a distância faz perceber o quanto as pequenas coisas passam a fazer diferença. O pessimista pode achar que isso é uma tendência a romantizar o lado bom e esquecer do ruim. Eu acho que a distância serve para valorizarmos o que antes tínhamos à mão e agora não está mais ali. Como se a internet e os celulares pudessem fazer da nossa relação com os outros algo como o controle remoto faz com o televisor. E percebemos que não. E quando até esse controle remoto se vai, existe uma solidão que é a solidão específica daquela pessoa. Que ninguém substitui. Um pequeno tesouro que não está mais lá. Como se fosse o pedaço de um mosaico que não pode ser alterado.
Acreditar nas pessoas é investir nelas. Não desitir de alguém, em vários sentidos, quando o primeiro problema ou decepção aparece. Relacionamentos por exemplo. Nossos pais - ou avós - viviam em um mundo onde as pessoas estavam destinadas a ficarem juntas pelo resto da vida. Hoje o mundo é de liberdade plena, então trocamos de relações como quem troca de roupa, parece mais prático tornar tudo descartável e quando o outro revela suas imperfeições, que venha o próximo.
Com o tempo a gente percebe que nossos pais fizeram o melhor que podiam para nós, e muitas decepções da infância se esvaem. Talvez até possamos olhar relacionamentos passados com outros olhos, entendendo melhor o outro. Mas será que entre a geração dos nossos pais que tinha o casamento como um contrato e a nossa, que tem a união como "eu te amo hoje, amanhã posso estar amando outro e ok" não há um meio-termo? Ou eu estou já com papo de velho?
Dizem que o primeiro ministro da Rússia um dia provocou uma hecatombe nuclear. Na Rússia a tradição conta uma história parecida, mas foi um presidente americano quem começou. Enfim. Antes, no entanto, ele certificou-se de que teria um belo abrigo. Com provisões, bem protegido, um belo estoque de DVDs, playstation, cigarros, bebidas, salmão iraniano congelado, um piano, bonecas infláveis de diversos tipos, cubo mágico, etc. Perfeito. 100% protegido.
Depois de transformar o mundo em picadinho, ele teve, ao vigésimo terceiro dia mais ou menos, vontade de dar uma volta. E não podia. Bela merda estar protegido, não?
Temporalmente: entre a lembrança fresquinha do "Indiana Jones IV" e o ensaio de "Macondo" amanhã (hoje) às 9h30
Ouvindo: o bom e velho Jeff Buckley, "Lilac Wine"
Imagem: "O Nascimento de Vênus" de Boticelli... E o que "O Nascimento de Vênus" tem a ver com tudo isso?
Vênus é Afrodite na mitologia grega. Deusa da beleza e do amor, filha de Zeus com a ninfa Dione, ligada ao mar. Apesar de toda a miséria humana, será que existe espaço para crer que o Homem foi criado para a Beleza e o Amor?
Acreditar nas pessoas é enxergar nelas o próprio direito de errar. Eu erro, você erra. Nós erramos. Errar junto pode ser divertido.
Acredite.
2 comentários:
Sobre seu post piegas: "Everyone loves a big fat lie." (Closer).
"Acreditar nas pessoas � investir nelas."
Conselhos sempre �teis pra mim!
Sempre que leio seus textos, acho que sou t�o superficial nos meus escritos, aprendo e me inspiro cotidianamente!
Obrigada, querido!
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