terça-feira, 27 de maio de 2008

"Nunca serão!"


Da série: "você ainda não tinha visto esse filme"?
Bom, assisti o "Tropa de Elite" esses dias. Demorei para ver mesmo. Até porque virou uma moda tão grande no ano passado, daqueles filmes e peças que fazem uma religião em cima, que eu fiquei com preconceito mesmo. Aí vi, esses dias.
Pôlemicas à parte, o filme é bom. Bem realizado, atores bons, fotografia, montagem, tudo.
Claro que ele fica no limite do que seria um meio-termo não maniqueísta. E escolhe pelo risco: retratar o lado do crime é sempre mais fácil nesse sentido. A gente sabe que o sujeito é bandido, o que vier de "humanização" é lucro. Retratar o lado da polícia, que em tese já deveria ser correta, até porque está do lado do poder, do sistema, é bem mais difícil.
Óbvio que no BOPE há corrupção também. Que os mortos não são sempre os criminosos só... Que tem muito inocente que paga o pato sim.
Mas o filme mostra um retrato que, por optar pelo risco de mostrar o lado do que deveria ser correto (e sabemos que não é), merece atenção. Não acho que ele idealiza a polícia, até porque o BOPE surge, no mínimo, como omisso ou conivente com a corrupção da PM (supondo que ele mesmo não seja corrupto). Mostra a tortura como prática recorrente. Mostra execuções. E por aí vai. Já não estamos no universo do politicamente correto.
Entretanto, longe de justificar essas ações, o filme abre uma discussão que é interessante. Se por um lado o sistema cria , por uma série de fatores sócio-econômicos (ou propicia o surgimento, ao menos) uma desigualdade que faz do crime uma saída, por outro lado a situação da polícia também não é confortável. Claro que por estar do lado do poder, a responsabilidade é óbvia. Mas justificar a ação do crime como fator social e pronto e taxar a polícia como violenta, corrupta e desonesta - e ponto - também é maniqueísta. Refletir sobre isso é uma provocação do filme.
Assim como há infratores que não merecem estar numa cadeia escrota, assim como a pena de morte (eu acho, ao menos) é uma ignorância que só quer devolver a sociedade à Idade Média, ou do "olho por olho, dente por dente", também existe gente honesta dentro das corporações. Pode ser a exceção da exceção, mas existe.
Se aceitarmos a premissa do filme, de que é uma guerra, temos que aceitar que em uma guerra nenhum lado é 100% humano, correto, bom. Porque a guerra em si já é uma merda, já é hostil, já coloca todos ali em situações limite onde é impossível agir no eixo o tempo todo.
De qualquer forma, o filme é bom. O elenco todo convence.
E o Wagner Moura está memorável como Capitão Nascimento.

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