
... aí eu chego no restaurante: o começo de uma noite boa, e bem engraçada pela situação inusitada...
no meio da conversa, que termina no assunto Filosofia, voltam as lembranças da FFLCH e dos três semestres em que teimei, com 18 anos, a fazer o curso que deveria ser proibido a qualquer um com menos de 40 anos.
Aos 18, aos vinte e poucos anos, você finge que tem idéias pronfundas sobre a vida, o mundo, etc... Você pode ter bom senso, sim, mas desculpe-me, ainda está na fase do "ouvi o galo cantar e achei razoável repetir". Isso não é uma acusação às tantas pessoas inteligentes e sensíveis que conheço dessa faixa etária, mas bancar uma faculdade de Filosofia na adolescência - ou recém saído dela - é no mínimo um desperdício.
Da mesma forma quando entrei em Artes Cênicas, aos 24 anos, percebi que naquele momento estaria aproveitando bem mais o curso do que com 17, 18... Que dirá Filosofia.
Há exceções, claro que há... Mas fica mais fácil o equilíbrio entre o ideal e o possível, a utopia e o concretizável, entre o sonho e a realidade, quando se viveu um pouco mais, quando se passou por um punhado a mais de problemas, quando se teve que pagar as próprias contas no final do mês, quando se vivenciou perdas e conquistas na prática mesmo. E quando os arroubos juvenis de genialidade e crença de que se vai "fazer a diferença" vão sendo substituídos pelo simples prazer de querer fazer seu trabalho bem feito, o melhor possível, tendo a noção de que o mundo é vasto, é grande, de que tem muita gente dentro dele e de que ser "o melhor", "o mais isso", "o mais aquilo" é preocupação ingênua. E aquele chavão de que devemos querer superar a nós a mesmos é bem próximo da realidade sim...
Outra coisa: é muito estimulante conhecer pessoas que voltaram à faculdade aos 40, 50 anos... Essa disposição de se re-inventar, de aproveitar esse momento da vida adulta para voltar a estudar, como um investimento em si próprio, não como a busca - muitas vezes precoce - de definir uma carreira, uma profissão para "a vida toda". Quem sabe, aos 35, eu não engrosso a fileira dos "tiozinhos"?
"Beeeeeeeeeeeeem capaz", como diriam no Sul.
4 comentários:
René, estou na posição de tiazinha, aos 28 anos sou uma das pessoas mais velhas da minha sala. Hoje tenho certeza que fiz muito bem em abandonar as faculdades aos 18 e novamente aos 23, concordo com tudo que vc falou. Acho que ter que escolher uma profissão aos 18 anos é um crime. Beijos, saudades.
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acaba de adquirir um ingresso :(
pena q isto quer dizer q se vc adquiriu, alguém ficou sem...
aproveitem :)
vc conhece/gosta de Heidegger?
sem querer ser pedante, concordo e discordo com vc, isso depende do universo interno de cada um...mas o mundo ...chega...o importante é estar "vivo". e vc "é" vivo.
FUi na exposição do José Dias lá no Caixa Cultural do Conjunto Nacional, tinha duas referencias a Peer Gynt a casa do peer e um cenário mesmo para a peça... lembrei de vc, alias lembrei de muita gente, em principal do Fábio oO...
Bom, sorte e estudo pq afinal é muito bom passar no metro com a carteirinha de estudante quando já passou dos 30... eu sei, minha tia dizia sempre isso! =p
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afins :-)
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