quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Tango e afins


... aí eu chego no restaurante: o começo de uma noite boa, e bem engraçada pela situação inusitada...


no meio da conversa, que termina no assunto Filosofia, voltam as lembranças da FFLCH e dos três semestres em que teimei, com 18 anos, a fazer o curso que deveria ser proibido a qualquer um com menos de 40 anos.


Aos 18, aos vinte e poucos anos, você finge que tem idéias pronfundas sobre a vida, o mundo, etc... Você pode ter bom senso, sim, mas desculpe-me, ainda está na fase do "ouvi o galo cantar e achei razoável repetir". Isso não é uma acusação às tantas pessoas inteligentes e sensíveis que conheço dessa faixa etária, mas bancar uma faculdade de Filosofia na adolescência - ou recém saído dela - é no mínimo um desperdício.

Da mesma forma quando entrei em Artes Cênicas, aos 24 anos, percebi que naquele momento estaria aproveitando bem mais o curso do que com 17, 18... Que dirá Filosofia.

Há exceções, claro que há... Mas fica mais fácil o equilíbrio entre o ideal e o possível, a utopia e o concretizável, entre o sonho e a realidade, quando se viveu um pouco mais, quando se passou por um punhado a mais de problemas, quando se teve que pagar as próprias contas no final do mês, quando se vivenciou perdas e conquistas na prática mesmo. E quando os arroubos juvenis de genialidade e crença de que se vai "fazer a diferença" vão sendo substituídos pelo simples prazer de querer fazer seu trabalho bem feito, o melhor possível, tendo a noção de que o mundo é vasto, é grande, de que tem muita gente dentro dele e de que ser "o melhor", "o mais isso", "o mais aquilo" é preocupação ingênua. E aquele chavão de que devemos querer superar a nós a mesmos é bem próximo da realidade sim...


Outra coisa: é muito estimulante conhecer pessoas que voltaram à faculdade aos 40, 50 anos... Essa disposição de se re-inventar, de aproveitar esse momento da vida adulta para voltar a estudar, como um investimento em si próprio, não como a busca - muitas vezes precoce - de definir uma carreira, uma profissão para "a vida toda". Quem sabe, aos 35, eu não engrosso a fileira dos "tiozinhos"?


"Beeeeeeeeeeeeem capaz", como diriam no Sul.

4 comentários:

flávia coelho disse...

René, estou na posição de tiazinha, aos 28 anos sou uma das pessoas mais velhas da minha sala. Hoje tenho certeza que fiz muito bem em abandonar as faculdades aos 18 e novamente aos 23, concordo com tudo que vc falou. Acho que ter que escolher uma profissão aos 18 anos é um crime. Beijos, saudades.

Anônimo disse...

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acaba de adquirir um ingresso :(
pena q isto quer dizer q se vc adquiriu, alguém ficou sem...

aproveitem :)

vc conhece/gosta de Heidegger?
sem querer ser pedante, concordo e discordo com vc, isso depende do universo interno de cada um...mas o mundo ...chega...o importante é estar "vivo". e vc "é" vivo.

Leco Vilela disse...

FUi na exposição do José Dias lá no Caixa Cultural do Conjunto Nacional, tinha duas referencias a Peer Gynt a casa do peer e um cenário mesmo para a peça... lembrei de vc, alias lembrei de muita gente, em principal do Fábio oO...

Bom, sorte e estudo pq afinal é muito bom passar no metro com a carteirinha de estudante quando já passou dos 30... eu sei, minha tia dizia sempre isso! =p

Anônimo disse...

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afins :-)