terça-feira, 7 de outubro de 2008

Keep Walking


Uma das coisas meio bobas que eu gosto é colecionar cartões da Johnnie Walker. E olha que eu nem gosto muito de destilados. Se eu tomasse uma dose da citada bebida para cada cartão guardado, estaria com cirrose. Ou pelo menos com muitas ressacas a mais que o normal. Até hoje não entendo como a campanha de uma bebida é "keep walking". Será algo do tipo "deu duro, tome um Dreyer"? Porque o que eu mais imagino é o camarada aí de cima não conseguir mais andar em linha reta, uma vez que a toda vicissitude da vida ele sente-se convidado a mais uma dose. Tem frases memoráveis, mesmo que a gente não se atenha ao fato contraditório do bonequinho caindo de bêbado tentando ir à frente. Enfim, aceitemos o desejo do produto e tomemos a sério a mensagem do Keep Walking.
Nesses dias de Elmo não tenho pensado muito nas tais vicissitudes até porque aos poucos elas vão perdendo o sentido. Mas claro que elas existem. Agora, sinceramente existem problemas que simplesmente dão no saco. Eles te enchem tanto que chega uma hora que a vontade é mandar a merda. E pronto. Ok, as contas continuam aí para ser pagas, não é isso que vai fazer algo mudar, mas existem coisas que a gente cria. E pode, sim, mudar.
Uma vez escrevi no espelho: "eu preciso mesmo passar por isso?", como uma lembrança de que existem coisas que podemos transformar na nossa vida. Meu momento auto-ajuda foi presenteado com um bilhete da Jucilene, que limpa a casa uma vez por semana, tentando "responder" à minha pergunta. Achei engraçado e ridículo da minha parte ter deixado o papel lá no espelho e não ter escondido da Jucilene a tempo.
Tá, não precisamos deixar no espelho. Mas podemos nos perguntar - só a nós mesmos, sem testemunhas: "precisamos mesmo passar por isso?" Medos, inseguranças, decepções, covardias... Tudo em prol de mantermos uma boa "capa" de pessoas inteligentes, razoáveis e equilibradas?
Cuidado com o quê? O único cuidado que não deveria nunca ser descuidado é o cuidado com os outros. Quando isso derrapa, aí podemos ser tragados pelo nosso egoísmo. E achar legítimo. Fora isso, "se não somos donos de nada que deixamos, que importância tem o momento de deixar?"
É isso aí. Mesmo sem Johnnie Walker, temos que tocar o barco. Ir adiante.
"... é a vida, mais do que a morte, a que não tem limites"
G.G.Marquez, O Amor nos Tempos do Cólera

3 comentários:

Naty Dezoti disse...

Nossa!
Eu JURO que realizei uma cena meio Regina Duarte... Vc escrevendo no espelho de batom!
Ahahahaha...

Quanto aos problemas... Keep Walking.

Anônimo disse...

por favor diga: qual foi a resposta da Jucilene para a sua pergunta?

Leco Vilela disse...

Penso nesse semi-desemprego do qual vc citou em algum post lá atrás, penso no G.G. marquez, mas em outro livro, aquele "Memórias de minhas putas tristes"... noventa anos e sem um vida estavel, recebendo quase nada de um aposentaria quase zero, mas ele vive...e no calor de seus 90 anos descobre o que nunca teve. O afeto amoroso por outra pessoa.

Faço curso de maquiagem teatral fora do macu, semana que vem começo o processo de aprender a fazer postiços. To fazendo curso de Dança Contato Improvisação e Pensando sériamente em me dedicar a uma pesquisa corporal mais aprofundada, to querendo fazer curso de Iluminação e cenografia...figurino depois e talvez... Ai eu vejo essa vida de semi-desemprego que me desanima, mas keep walking...não?