
Assito "O Meu Pé de Laranja Lima" encenado por alunos, ex-alunos meus.
Me lembro de ter lido esse livro quando criança. José Mauro de Vasconcelos. Que deve ter feito surgir uma geração depressiva tanto quanto o Goethe inaugurou uma onda de suicídios com o "Werther". É triste que dói. E tinha mais. Tinha "O Veleiro de Cristal", "Doidão", "Rosinha, minha Canoa". Alguns da "Coleção Vagalume". Outros não. Todos muito, muito tristes.
Vendo a peça me lembro do livro e me lembro da infância. Que eu ainda quero crer não há muito tempo atrás. Nunca tive uma árvore no quintal para subir - aliás nunca tive quintal - muito menos conversei com ela. Nem apanhei tanto quanto o Zezé, coitado... Mas cada um tem suas lembranças, e a vida da gente guarda sempre coisas bonitas e coisas tristes, com saudade ou revolta, que ficam por aí, dentro.
Ao final, vem o depoimento sobre a "ternura da vida".
Ternura da vida era o português meio carrancudo dar figurinhas para a criança.
Ternura da vida era a mãe fazer serão para comprar um terninho para o filho.
Ternura da vida era o pai pobre se envergonhar disso quando o filho não ganha presente de natal.
Ternura da vida era o filho trabalhar de engraxate para comprar um maço de cigarro de presente para o pai.
E hoje, o que é, aqui e agora, ternura da vida?
Palavra que liga-se com "carinho, leveza e meiguice".
"... a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum."
Mesmo se enganando, a vida sem ternura não é lá grande coisa.
Já dizia o Zé Mauro.
2 comentários:
...ternura...
é ser o cachorrinho do meio, que enconsta no debaixo e no de cima e ainda alcança a teta da mãe...
Pois é... me sinto honrado de forma bem bizarra, chorei muito e você viu... foi um plac, um pluft ... e doeu. Ternura? talvez seja um abraço dado a um desconhecido...que por causa do abraço passa a querer ser conhecido.
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