domingo, 13 de julho de 2008

Quando Despertarmos de entre os Mortos

Fac-símile de anotações de Ibsen para "Quando Despertarmos de entre os Mortos".
Sabe que toda a vez que eu leio Ibsen eu penso na crítica de ele ser um escritor "burguês". Ok, ele não fala de temas sociais, não tem uma arte com uma ligação política tão forte como o Brecht por exemplo mas será que dá para reduzir sua obra a isso?

Se nos lembramos do Brecht e da noção de política como proporcionar um novo olhar sobre a realidade, mesmo no âmbito pessoal, se possibilitamos um olhar revelador sobre as crises humanas mais íntimas, estamos sim fazendo política. Até porque se não há uma transformação no indivídio, a "massa" vira "massa de manobra" e só.

Os conflitos de Ibsen, por mais "sala de estar" que possam ser, revelam profundas crises humanas, transformações e revelações absurdamentes radicais para a sua época. Esse é um primeiro ponto. Ele foi, sim, profundamente político para seu contexto. Por que não hoje?
Será que "política" é só levantar bandeiras sobre questões sociais, só denunciar os desmandos do mundo? Os desmandos da alma individual não estão por detrás de tudo isso?

Leia um Ibsen. Não só o "Casa de Bonecas". Leia "Quando Despertarmos de entre os Mortos". Ou "John Gabriel Borkmann", ou o "Peer Gynt".

Quando despertarmos de entre os mortos desse gesso todo que a nossa forma de ver o mundo se transformou - até a nossa forma de "revolucionar" ficou repetitiva e ultrapassada - quem sabe poderemos olhar para a tradição, olha para os clássicos com um olhar novo que não negue, mas transforme.

E vivam os Quixotes, Hamlets, Édipos etc... Ontem e hoje. (Re)Lidos com responsabilidade e contextualizados para nossa época. O que eles nos dizem hoje? Certamente muita coisa.