sábado, 26 de julho de 2008

Kazuo Ohno ou remexendo programas antigos


Achei minha pasta com programas de peças.

Remexendo nela, coisas antigas que nem lembrava mais que tinha visto e guardado programas. Um dos mais lindos é o da última passagem do Kazuo Ohno por essas bandas - era 1996 e ele ainda dançava. Espetáculo no SESC Anchieta, com direito à Antunes Filho emocionado na platéia e aplausos de dez minutos contatos no relógio.

E eu abracei o Kazuo e ele autografou o programa.

Eu que não sou de tietagem não resisti.

Foi provavelmente o que vi de mais puro em arte.

Não havia bandeiras, nem frases de efeito, nem conteúdo "político", mas um ser humano de mais de 90 anos reiterando sua paixão pela dança e pelo estar vivo.

Um tributo à vida em sua plenitude.

VIDA. De verdade.

Como um sonho levado às últimas consequências. Kazuo lembrou a todos, naquele dia, que a VIDA é possível. Como diria Clarice, que o "jogo da minha vida maior" é possível, não apenas o de aceitar ser um dado marcado - obrigações, expectativas, auto-imagem, orgulho, falta de fé em si e no mundo. O espaço do sonho. Aqui e agora, no palco que é qualquer superfície que aguente o peso do próprio corpo e da alma.

Como dançar a vida como Kazuo Ohno?

"Preciso conter a ebulição que toma conta de mim - o beijo dado do útero do cosmo."
Kazuo Ohno

2 comentários:

Leco Vilela disse...

Está ou estava tendo uma exposição sobre o japão moderno e o japão antigo, voltado pra arte ...eu lembro de ter visto algo com a imagem do Kouzo.

Anônimo disse...

*
como me encanta,
vejo um eterno menino que conversa com a menina adormecida, ela está acordando, mas a vida, a outra vida, já lhe roubou alguns anos.
o contento é poder dialogar nalgum lugar, aonde a linguagem em si, só, não bastaria, seria sim uma boa desculpa para um encontro...