
Não, eu ainda não vi o quarto Indiana Jones.
Mas tentei. Meu amigo Zédú me arrastou até um cinema no Shopping D onde deveria estar passando o filme mas com sua sagacidade na verdade pegou a informação errada. Semana que vem não escapa.
Também vejo os filmes do Stallone, vira e mexe. Rocky, vi todos. Recentemente aliás. E o Rambo IV confesso que comprei um dvd pirata mas a qualidade era tão ruim e que ele foi arremessado da janela como um shuriken ninja. Bem no estilo "trash".
A questão é a seguinte: precisamos de coisas idiotas às vezes. Precisamos "zerar o Q.I." um pouco, como dizia a mãe de um amigo meu, jornalista e tradutora, que ao chegar em casa corria para a frente da TV assistir uma novela. Ela tinha consciência da falta de qualidade e profundidade daquilo tudo, mas aquilo cumpria uma função. "Zerar o Q.I." um pouco.
Tem uns blogs bem prepotentes por aí. Gente que parece que acorda lendo Kant, passa o dia assistindo Tarkovisk, à tarde relaxa ouvindo Stockhausen e à noite vai para cama ler o "Ulisses" do Joyce, que ninguém é de ferro. Fala da vida como um filósofo que assiste o mundo do lado de fora (como se fosse possível), prega intelectualmente um bom senso engajado com as idéias mais "senso comum" e paira, incólume, observando o que nós, simples mortais, fazemos com nossa vida.
Vamos parar com chatice? Admirar a Arte é fundamental - o exercício do prazer estético, seja ao observar ou ao executar é a respiração da alma. Mas dar férias para o cérebro também é.
Cada coisa tem sua função. Assim como existem momentos em que você quer refletir, pensar, questionar (no cinema, no teatro, em frente à TV, lendo um livro) e outros em que quer apenas se divertir (no cinema, no teatro, em frente à TV, lendo um livro).
Deixe o Rocky bater no russo em plena Guerra Fria e entenda a pataquada que é, politicamente falando, essa mensagem americanizada. E ria disso. Não leve à sério. O próprio Umberto Eco confessou uma vez, em um texto, que às vezes precisava ir ao cinema ver nosso amigo Stallone.
Deixe o Harrison Ford sessentão reencarnar o Indiana. Vai lá. Lembre-se de quando era criança e achava o máximo o cara usando o chicote e o chapéu que raramente caia da cabeça. Tudo bem. Ninguém vai contar para o Shakespeare nem para o Ibsen que você se divertiu.
A questão é ter consciência da diferença entre divertir-se simplesmente e confundir esse prazer descompromissado com qualidade estética. É o mesmo que confundir o "eu gosto" com "isto é bom". O contrário também vale: eu "não gosto" do Martins Penna por exemplo. Isso quer dizer que o teatro dele é ruim? Não. É ótimo. Principalmente se levarmos em conta o contexto de sua época e o quão importante ele foi para o Teatro Brasileiro. E o quanto suas peças revelam consciência do fazer teatro, e o humor funciona. Tenho vontade de montar Martins Penna? Nenhuma. De assistir? Não. Isso quer dizer que ele é ruim? Não. Quer dizer que eu não gosto. Só isso. Questão de gosto, não de qualidade.
Rir de si mesmo é importante. Assumir o lado besta e deixar o fluxo de consciência baixar um pouco é bom. Alguém imagina passar a noite dançando freneticamente ao som de Bach?
Cada coisa cumpre uma função.
Tem seu espaço.
E sua hora.
Viu que libertador? Agora deixa de ser chato e vai ver o Harrison!
7 comentários:
O velho Marujo está cada vez mais truculento!
nesse ponto concordamos a imbecilidade é extremametne necessária... até aqueles besteirois americanos cumprem essa função... o rambo matando 5 chineses com uma bala... é lindo! hoahoaohoahoa...a Xuxa lutando contra o baixo astral com um cristalzinho de merda...é um dos melhores filmes da minha infância! =p hahohoaohahoahaho
Meu Deus, como você escreve!
Amo e admiro muitooo, muitooo, muitoo você.
Você é muito importante pra mim!
Bjaooo
Você voltou!!!!!!! Que bom!!!!
Tava com saudade, querido! Tô precisando "zerar meu QI" urgente!!!!
Quanto ao Harrison, ele continua um charme!!!
Talvez assim vc entenda pq as vezes "eu gosto" de ir no Kiaora... rsrs... saudade de vc pegando no meu pé!! ;-)
eu zero meu Q.I de tantas maneiras, a que mais gosto é ir ao karaoke e cantar uma porção de músicas bregas e sem fundamento, experimente um dia.
ótimo texto rené1
beijokas
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Concordo, às vezes "zerar o Q.I." é necessário, o problema é qdo isso acontece sem vc querer.
Hein?
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