segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre o Tempo e o Kahn


Esta foto é do primeiro de maio em Berlim. Tirada pelo Kahn. Roubada diretamente do blog dele.
Entrem lá. Tem mais coisas boas. E o link está aqui. Kahn foi para a Alemanha. Ficou quase três meses lá. E acabou de voltar, na sexta feira.

Há um mês atrás era primeiro de maio aqui. Ok, hoje é dia 02. Então ontem, há exatamente um mês atrás, foi primeiro de maio. Na Alemanha da foto e aqui. E hoje, passado um mês, o mundo continua a girar e a vida continua, com primeiros de maio, junho, julho, agosto, etc... Um mês da foto. E quase três da viagem do Kahn.

Conversamos sobre a viagem, ele me contou sobre Berlim, sobre Dusseldorf, sobre as fotos que tirou, sobre os trabalhos que fez, sobre a japonesa louca que queria alugar um quarto para ele, sobre nossos amigos que estão morando lá, sobre os dias que passou por Paris e sobre o quanto os alemães bebem.

De repente, no meio da conversa, eu digo: "nossa, passou rápido não?"
O Kahn diz que não, que nas últimas semanas, principalmente o tempo que passou em uma cidade próxima a Berlim trabalhando como free-lancer em um jornal, os dias pareciam não passar...

Aí me lembrei do óbvio: a relatividade do tempo. Me lembrei de quando estive na Grécia por quase três meses também e do período em que, apesar de tudo de maravilhoso que o trabalho, o teatro e Atenas me proporcionavam a saudade de contato humano próximo e real com as pessoas que amava tornavam a data de retorno uma contagem regressiva. E de como para as pessoas que estavam aqui o tempo parecia muito mais rápido do que para mim.

Eu estive aqui o tempo todo, tocando a vida, a rotina, as quebras de rotina, mas dentro do "normal". O Kahn vivendo o oposto: a diversidade, o novo, o desconhecido. Outro país, outra língua, outros costumes, outra forma de se relacionar com as pessoas. Vida intensa, para bem e para mal. Intensidade onde cada dia parece enorme, tanto quando as coisas são boas quanto quanto o tédio aparece.

Você passeia por uma cidade européia, nossa, que máximo! Sozinho, sem compromissos nem horários (as vezes). Ninguém te conhece. Uma sensação de liberdade em poder gritar um palavrão em português alto (as vezes tem brasileiros ou portugueses por ali, cuidado) e outras besteiras do tipo. Legal. No primeiro dia. No segundo. Na primeira semana. No primeiro mês? Depois começa a ficar meio complicado. "Todo o mundo é uma província". Para quem ficou aqui, tudo parece lindo, e parece absurdo dizer que chega um ponto em que o que você mais queria era simplesmente estar deitado do lado de alguém que gosta aqui mesmo, vendo televisão ou tomando uma cerveja no bar da esquina. Ok, transportar alguém para lá poderia ser uma opção se fosse possível, como não é fiquemos com o colchão colocado na sala mesmo em frente à TV.

O tempo é relativo e não precisa o Einstein lembrar disso. Ele já comentou sobre e desde então a gente sabe.

Faz exatamente 10 anos desde o primeiro de maio de 2008.

(Foto: primeiro de maio em Berlim, 2008. Dez anos atrás. Por Marcelo Kahn)

Um comentário:

Leco Vilela disse...

Caralho!... Tu finalizou o texto com uma maestria. Não que eu não tenha lido o texto inteiro, mas o final...que Final!