
Todas as vezes que volto de viagem depois de uma apresentação é como voltar à realidade.
Chegada em Mogi Guaçu.
Você marca com o técnico do teatro às 14h. Ele não está lá, aparentemente.
De repente ele aparece, mas não é o mesmo que havia falado com você pelo telefone.
A montagem será feita com andaime, não com escada. Pé direito alto. Você explica tudo o que precisa, e depois ele diz: "Alguém aí afina luz? Porque eu não subo no andaime."
Pergunta em monólogo interno: ele não sobe porque não é trabalho dele (como, se é técnico de luz?) ou porque tem medo?
Dá-lhe subir andaime. Na truculência.
Dia dos namorados, jogos de futebol, morte do Jamelão, tudo passa em branco.
Com mais coisa na cabeça para se preocupar.
A gente ganha pouco mas se diverte. Muito. Faz da dificuldade motivo de risada.
Falta de tradição, de profissionalismo, que merecia quebrar o pau? Pode ser, mas entre engrossar o coro dos insatisfeitos ou interromper a ação, é necessário fazer. Fazer.
É preciso passar por cima das dificuldades sim. E estou plenamente convencido de que esta peça tem alguma coisa. Mesmo com todos os revezes, na hora que acontece (e olha que até o som desta vez estava com problemas, as caixas chiavam) comunica algo.
Comunica sim. Ao menos aos dispostos a captarem.
Volto para São Paulo, retomo a vida cotidiana.
(Foto: despedida de Mogi Guaçu, domingo)
Um comentário:
DepressãoPósQuixote.
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