terça-feira, 3 de junho de 2008

"Se nos esquecermos de sonhar, o país dos sonhos será um enorme deserto, sem passado nem futuro"



Mãe
Não seja chato, José, baixa a voz!
Está bêbado ou o que te acontece?
Quer fazer que seu tio se levante da tumba?

José
Não, mãe, que não se levante!
Que termine de morrer e não volte.

Mãe
Silêncio, mal educado, silêncio!

José
O passado é uma muleta:
nos ajuda a andar,
mas certifica que somos uns aleijados.
(...)
José
Não quero continuar sonhando.

Antonia
Então nunca saberá por que perdeu a memória.

José
Para que fuçar num passado onde só há lamentos?
Antonia
O problema é que se esquecemos o que nos dói,
possivelmente nos esquecemos do que nos pode fazer feliz;
e mais, quem sabe já tenhamos esquecido,
mas se nos esquecermos de sonhar,
o país dos sonhos será um enorme deserto,
sem passado nem futuro.

Daqui a pouco (oficialmente, hoje já é terça): "Jardim de Polvos" em Ribeirão Pires,
no I Festival de Teatro Celso Ribeiro (http://www.metodista.br/rronline/cultura/ribeirao-pires-apresenta-i-festival-de-teatro/)

Hoje sentei e assisti o ensaio.


Quando isso acontece, quando você se vê de novo como público, mesmo dirigindo uma peça, é porque algo está no caminho certo. Mesmo quando ainda há muito o que fazer.
O caminho está certo. Caminho de sonhos, de passado, de lembranças.
Caminho de recordações. Na peça e na vida.
De outros dias, de sala de aula, de momentos engraçados, de momentos difíceis, de momentos de aprendizado - ensinando e aprendendo - de encontros, de desencontros, de se achar e de se perder. De descobrir juntos.

Em cena Edu, Mari Mazi, Sabrina, Priscila, Thais, Ju e Vinícius: alunos da minha primeira turma da São Judas. Companheiros de convívio, direto ou indireto, de dois anos por lá. Pessoas que marcaram uma época importante da minha vida. Em uma peça que não pude assistir no ano passado, formatura deles - no horário das aulas...
Mas quis o destino que essa peça entrasse no meu caminho como um trabalho do qual participo hoje.

"Jardim de Polvos", amanhã (hoje).
Agora com um "olhar de fora".

Desde já, meu carinho por vocês todos e o obrigado por ser esse "olhar de fora".



MERDA para todos nós.

4 comentários:

flávia coelho disse...

Saudades, saudades...

Leco Vilela disse...

Fico feliz de te ver contente, mas contente assim de verdade mesmo, daquele jeito leve.

Naty Dezoti disse...

Eu gosto de quando re-vejo algo. E tenho vontade de revê-los... E de rever-te na direção.

Edu disse...

" A vida passa, mas poucos passam pela nossa vida" Assim diz a Antônia para o José. Sim, são poucos os que passam,mas tem uns que são importantes, deixam suas marcas e contribuem para o tal "almejado" crescimento...Você, sem dúvidas é umas dessas pessoas...contribuiu e contribui até hoje(graças aos deuses) . E hoje estamos juntos nesse "Jardim de polvos". É muito bom tê-lo conosco.Obrigado,obrigado,obrigado.