quinta-feira, 26 de junho de 2008

Aqui jaz... niguém


PEER
Será que não há ninguém, ninguém na terra inteira, ninguém na escuridão, ninguém no céu?

Ah, acho que morri muito antes do que o meu corpo!

Quero subir até os picos mais altos e escarpados, quero olhar uma vez mais para o sol nascente e contemplar a terra prometida!

E então, que a neve caia e se amontoe sobre mim, e que se escreva por cima:

“Aqui jaz – ninguém.” E depois... depois, venha lá o que tiver que vir!


"Peer Gynt", V ato.



O herói nunca morre no meio do V ato. E estamos chegando ao final dele. Passamos do meio. As pessoas têm mania de acusarem umas as outras de "carentes". Como se o oposto disso fosse a capacidade de se virar bem sozinho, sem ajuda nem suporte dos outros, como se o heroísmo solitário do sacrifício tivesse que ser louvado o tempo todo.

Temos que ser fortes. E forte é aquele que aprendeu a sofrer sozinho, que aprendeu a abrir mão, a não necessitar das coisas, que aprendeu a prescindir de toda a humanidade. Os outros são "carentes". Aqueles que infelizmente fizeram um pacto com o desejo de compartilhar qualquer coisa que seja externa a eles mesmos.

"Peer Gynt" de Ibsen. Uma aventura, com alunos. Mas sempre uma aventura.
"Basta-te a ti mesmo"; "Sê tu mesmo" - os lemas de Peer e dos Trolls.
Que o levaram, ao final do V ato, à fala aí de cima.
Dias 04, 05 e 06 de julho completa-se um encontro.
Com o egoísta, individualista, bruto, bêbado e arrogante - e amoroso, carente, solitário e humano Peer Gynt.

Até o final do V ato.

Um comentário:

Leco Vilela disse...

até!...

Estarei lá escondido nas cadeiras da sala ai depois eu te comprimento e ai vc descobre q eu assiste! =p

heheheh