É no mínimo irônico lembrar que o blog do Mário Bortolotto chama-se "Atire no Dramaturgo". Teria algum psicopata de plantão acessado o site e levado a sério o "convite" ao ato? Não. Longe de um roteiro B de filme americano de ação (apesar de assim ter sido descrita a tentativa de assalto ao Parlapatões, por uma das atrizes presentes) o que aconteceu foi apenas mais uma página da vida em São Paulo.
Na periferia e mesmo no centro coisas assim acontecem todos os dias. Piores. Virou manchete por ser o Bortolotto. Por ser a Prça Roosevelt, por ser Parlapatões. Mas o que assusta nisso tudo?
Primeiro porque talvez exista um lado romântico - meu pelo menos - em achar que o teatro só seja "palco" para a violência no sentido literal, dela debatida e discutida em cena. Gente sendo baleada dentro de um teatro - ainda que seja no bar do teatro, mesmo assim - é algo estranho. Quererem assaltar um teatro é algo estranho.
É triste ver a Praça Roosevelt, tão cantada pelo seu renascimento de uns dez ou quinze anos para cá, com a chegada dos teatros e da revitalização, ser palco - de novo o palco - para coisas assim.
Mário Bortolotto tem jeito truculento. Às 5h30 devia estar nada sóbrio. Parece que enfrentou os assaltantes com frases como "Vocês não vão assaltar ninguém" e "Vai atirar? Atira!"... Para falar a verdade nunca fui muito fã dele.
Mas respeito seu trabalho. Pelo menos é coerente. Persiste. Traça um caminho próprio. A total escassez de dramaturgos faz com que muita gente passe a mão na cabeça do primeiro que escreve uma peça e conhece um jornalista. Ele certamente não estava nesse grupo.
Mário, fique bem, logo.
E por via das dúvidas, muda o nome do blog.
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