quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

alguma coisa está errada ou de como evitar lugares perigosos



Segunda-feira, cerca de 14h e lá estava eu entrando na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Ainda pensei em dar uma espiada nos livros da parte de baixo, mas acabei decidindo subir logo para o mezanino e ver a parte de teatro. Mais uns quinze segundos e começa uma confusão ali dentro: primeiro a senhora chorando, depois a mulher pedindo pelo resgate e a frase "ele está com um traumatismo craniano" até a entrada dos policiais. Do meu ângulo, não conseguia ver o outro lado, escondido pelas prateleiras. Apenas imaginava o rapaz caído, imaginava o agressor sendo convencido a entregar sua arma (um facão? um taco de golfe? um taco de beisebol?), imaginava.
Só depois descobri, pela Folha Online, que o sujeito não conhecia o rapaz, que não havia motivação pessoal alguma: ele simplesmente entrou na loja com um taco de beisebol (sim, era isso mesmo) e escolheu aleatoriamente uma pessoa olhando os livros e pronto. Se eu tivesse mais tempo sobrando, certamente começaria olhando os livros de baixo. E poderia não estar escrevendo isso agora.

Alguém disse que a Praça Roosevelt é perigosa, depois do que aconteceu com o Bortolotto. A versão mais crível é a de que ele tentou reagir ao assalto. O rapaz da Livraria Cultura nem viu de onde partiu a pancada. Talvez um lugar onde ao menos temos a chance de não reagir seja mais seguro. De repente, uma livraria no centro da Paulista às 14h vira palco de uma situação mais bizarra que um bar às 5h30. Tudo isso no eixo Paulista-Consolação, muito, muito longe de outros lugares onde o bicho pega mesmo... Onde estamos seguros? Que idiotice pensar em "segurança" como uma garantia da nossa classe média em poder andar por aí. O que espanta é a loucura. A gratuidade.

Por via das dúvidas:

- Nunca entre em uma livraria desacompanhado às 14h;
- Desconfie de quem andar portando tacos de beisebol fora de um estádio destinado a esse esporte;
- Comece sua vida a qualquer loja sempre do andar mais alto para o mais baixo, jamais o oposto;
- Cuidado com metáforas e citações, como "Atire no Dramaturgo": as pessoas levam ao pé da letra;
- Sempre que ouvir alguém chorando corra no sentido oposto;

A outra opção é continuar vivendo com a aceitação do acaso. Nada é certo, nada é lógico necessariamente, nada é definitivo. Dizer sim à vida, com tudo o que ela tem de horrível e de Belo, é o único jeito.

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