segunda-feira, 29 de setembro de 2008

"O resto é silêncio"


Citando Shakespeare e o "Lembranças daquele futuro imaginado" de outro dia.

Não, não é de silêncios que se vive. A vida pede a palavra. Mesmo quando dizemos que "calar é ouro", não é completamente verdade. Porque ele esconde a palavra. A palavra não dita ecoa para dentro e para fora, de forma desmedida. Às vezes simplesmente tola. Às vezes cruel.

Não negue a palavra. Mesmo quando não se sabe o que dizer. Desenvolva o não saber.
Mesmo quando é dura.  Eu odeio o silêncio. É uma forma unilateral de olhar o mundo. Muitas vezes pelo menos.

Uma vez minha mãe me disse, quando contei de uma briga com um coleguinha: "o desprezo dói mais". Não é que ela tinha razão? Hoje não consigo "desprezar" as pessoas. Mesmo quando gasto muitas palavras. Até que chegue alguém que mereça o silêncio. Mas o que esse pobre mortal haveria de fazer para isso? Não sei. A gente tem milhares de palavrões, de filosofia e de termos agradáveis também para honrar nossa espécie e nossa linguagem desenvolvida por milhares de anos. Tem escova de dentes e listerine contra o mal hálito.

Ficar de boca fechada é um desperdício e um desrespeito com nossos ancestrais.  

Use a boca e língua. Inclusive considerando o duplo sentido da frase.
Aí sim não precisamos de palavras.

3 comentários:

Sharonline disse...

As vezes é melhor ficar calado a machucar com palavras amargas...

Flavio disse...

Ás vezes falar pode ser difícil. Não é tão fácil pra mim. Eu gosto do silêncio e me acostumei com ele. Observar e ouvir pode se tornar um vício. E, por outro lado, o silêncio também fala. Ou não? Será que é melhor eu não falar mais nada sobre isso?

Leco Vilela disse...

Tem uma coisa que eu me lembrei lendo isso...Minha professor da Dança Contato Improvisação:

"Agente aprende ou se acostuma a dançar calados, mas muitas vezes o som é necessário, seu corpo quer emiti-lo, e quando não o faz, se oprime"

dançando e aprendendo