quinta-feira, 25 de setembro de 2008

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Eu queria achar uma citação muito boa, mas não encontro.
Um trecho de música, uma frase de um livro, as últimas palavras de um grande homem, uma citação de efeito, um poema desconhecido e genial. Algo que resumisse o que se passa aqui.
Uma vez alguém me disse, resumindo uma determinada sensação: "não temos mais para onde voltar." Acho que é isso. Não se ter para onde voltar. Outro dia me bateu isso, andando de volta para casa. Não confundir o "de volta para casa", no sentido literal, com esse "ter para onde voltar".

"Ter para onde voltar" pode ser sua família. A idéia de um lar não apenas como quatro paredes, mas como um pequeno núcleo de pessoas que estão intimamente ligadas a você. Para as quais você é prioridade. O colo da mãe, mesmo quando distante, é sempre o colo da mãe. O abraço do pai ou o ombro do irmão. Estão ali. Mesmo distantes.

"Ter para onde voltar" pode ser sua namorada, esposa, etc. Alguém que se ligou intimamente a você mesmo que um dia possa acabar, mas que na eternidade do "enquanto dure" está ali - supondo que você tenha a sorte de encontrar uma solidão para acompanhar a sua solidão. E no conceito de eternidade relativa, está ali.

"Ter para onde voltar" podem ser seus amigos. Os mais próximos, que estão ali quando você precisa. A vida une e separa as pessoas, mas mesmo assim existem os que perduram. Ou mesmo os que naquele momento compõe essa segunda família. Eles estão ali quando você precisa deles.

"Ter para onde voltar" pode ser seu trabalho, sua criação. A centelha de criatividade que te alimenta e que faz com que a vida pareça um pouco menos sem sentido. Mesmo que esse sentido seja inventado, criado. E você pode voltar, ou voltar-se para isso.

"Ter para onde voltar" pode ser você mesmo. Mas isso talvez seja o mais difícil. Em tempos de heroísmo exaltado e auto-suficiência como marca de estar no mundo, faz falta colo e ombro às vezes. Faz falta quem está ali mesmo quando você não precisa. E aí vem a sensação de não se ter para onde voltar.

Sem querer a piedade alheia, voltei para casa.
Literalmente, digo.

2 comentários:

Jackie Louise disse...

Vc ñ precisa de piedade, afinal, você voltou pra “casa”. Acho q seria correto dizer, “se voltou para “casa”.”
Complicado é pensar que vc tem algo, alguém, pra voltar e descobrir que estava enganado.
Acredito q os tempos sejam de auto-suficiência, pq ninguém tem mais para onde ou para que se voltar. Vejo todos indo numa ânsia, numa busca desvairada de coisas descartáveis.
E eles só vão...não voltam! E quando se voltam,estão com a mente vazia, cercados de amizades fúteis e provavelmente possuem uma família fria.
É que não deu tempo de construir sentimentos e cultivar pessoas.

A impressão que me da é que admitir a fraqueza de precisar de um “lugar” pra voltar está totalmente fora de moda.

Sabe a vida é feita de escolhas e infelizmente escolha é sinônimo de perda.
E se vc escolher ter algum “ponto” pra se voltar,acredito que seja melhor começar a parar de correr atrás do que é perecível e focar mais no que é “eterno”.
Jackie Louise

Anônimo disse...

I agree. O importante é tb querer 'ter para onde voltar'. As vezes tem gnt que não quer. Fazer o que?!