"Gregor rastejou um pouco mais e colocou a cabeça o mais perto possível da porta, para que seus olhares se encontrassem. Será que ele não passava de um animal, embora a música o emocionasse tanto? Parecia que ela lhe abria um caminho rumo a um alimento desconhecido pelo qual ele tanto ansiava."
terça-feira, 29 de maio de 2012
...
Toda vez que eu passo pela Consolação com a Paulista e vejo o Belas Artes, ou melhor, o antigo Belas Artes, me entristeço. Por alguns segundos eu quero crer que ele está apenas em reforma, que logo abre de novo e que poderemos ver mais e mais filmes, brigar por ingresso de novos Noitões e coisas assim... Da mesma forma que eu pensava na volta do Riviera, que seria apenas uma reforma para que retornasse com o mesmo charme, talvez um pouquinho melhor cuidado...
Do que teremos saudade daqui a dez, vinte anos? O que mais nos resta para ser tirado em uma cidade onde cada vez mais tudo vira franchising, Shopping Center, tudo vira detetor de metais, estacionamento pago, zona azul, radar, impessoalidade, generalidade?
Vamos lembrar do Shopping que mudou de dono e de layout, do Estacionamento vertical que possuía apenas quatro andares, do cinema que ainda era 2D mesmo sendo Cinemark, do último teatro que não tinha virado igreja ainda... Quem sabe não viveremos o dia em que até os teatros do SESC virarão igrejas dentro das unidades? Que os bancos colocarão os chips dos cartões na nossa pele? Que toda a educação virará ensino à distância e que os entregadores de pizza levarão a sua prova junto para ser arquivada?
Medo.
Pra que foram fechar o Belas Artes?
É o começo do fim.
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