sábado, 25 de julho de 2009

Romper o pacto de mediocridade com a vida.


Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra?

O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro.

Terei que ter a coragem de usar um coração desprotegido e de ir falando para o nada e para o ninguém? Assim como uma criança pensa para o nada. E ser esmagado pelo acaso.

Para que eu continue humano meu sacrifício será o de esquecer? Agora saberei reconhecer na face comum de algumas pessoas que – que elas esqueceram. E nem sabem mais que esqueceram o que esqueceram.

Estou tão assustado que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém está me dando a mão.

Clarice Lispector

A vida des-imaginada é menos azul.

Liniers Macanudo