Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra?
O que eu era antes não me era bom. Mas era desse não-bom que eu havia organizado o melhor: a esperança. De meu próprio mal eu havia criado um bem futuro.
Terei que ter a coragem de usar um coração desprotegido e de ir falando para o nada e para o ninguém? Assim como uma criança pensa para o nada. E ser esmagado pelo acaso.
Para que eu continue humano meu sacrifício será o de esquecer? Agora saberei reconhecer na face comum de algumas pessoas que – que elas esqueceram. E nem sabem mais que esqueceram o que esqueceram.
Estou tão assustado que só poderei aceitar que me perdi se imaginar que alguém está me dando a mão.
Clarice Lispector
A vida des-imaginada é menos azul.
Liniers Macanudo
Um comentário:
aceitei a dica e gostei!
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