Equações algébricas são equações nas quais a incógnita x está sujeita a operações algébricas como: adição, subtração, multiplicação, divisão e radiciação.
Exemplos:
a x + b = 0
a x² + bx + c = 0
a x4 + b x² + c = 0
Uma equação algébrica está em sua forma canônica, quando ela pode ser escrita como:
a0 xn + a1 xn-1 + ... + an-1 x1 + an = 0
onde n é um número inteiro positivo (número natural). O maior expoente da incógnita em uma equação algébrica é denominado o grau da equação e o coeficiente do termo de mais alto grau é denominado coeficiente do termo dominante.
Exemplo: A equação 4x²+3x+2=0 tem o grau 2 e o coeficiente do termo dominante é 4. Neste caso, dizemos que esta é uma equação do segundo grau.
O google me lembra daquilo que eu nunca aprendi ao certo e me tira a dúvida que estava na cabeça: não, em nenhum momento há referências de que nem a Arte, nem a vida, nem o Teatro tem nada a ver com uma equação do segundo grau.
Por que algumas pessoas têm mania de confundir a vida e Arte com fórmulas?
Para quem gosta das Exatas, vamos para a física quântica, pelo menos?
"Gregor rastejou um pouco mais e colocou a cabeça o mais perto possível da porta, para que seus olhares se encontrassem. Será que ele não passava de um animal, embora a música o emocionasse tanto? Parecia que ela lhe abria um caminho rumo a um alimento desconhecido pelo qual ele tanto ansiava."
domingo, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Sobre leões marinhos
O leão-marinho é um animal sobre o qual quase nunca ouvimos falar por aqui. É como o Canadá, você sabe que ele existe mas deve ser um lugar maravilhoso de se viver, porque é raro alguma nota sobre ele na mídia. Vazamentos de óleo, guerras, crises internacionais, oscilações da bolsa pelo mundo, Olimpíadas, Copas e o Canadá lá. Sem novidades.
Para os interessados nesse belo espécime de mamífero, a Wikipedia tem um verbete emocionante: http://pt.wikipedia.org/wiki/Le%C3%A3o-marinho
Mas ficaremos aqui com o semblante do casal leonino-marinho da foto. Parece que a vida deles está boa, pelo sorrisinho. Um bom banho de sol de conchinha, salmões frescos (literalmente) a disposição, um laisser-faire contínuo, os corpos bronzeados. O leão-marinho é o sonho de todo mamífero.
Pelo menos no Ushuaia.
Alguém pergunta: "precisava ser tão longe"?
Ora! a felicidade precisa estar na sua esquina? E os nossos antepassados das Grandes Navegações, deixaram seus genes de aventura à toa?
"Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas foi nele que espelhou o céu."
Vou discutir com o Fernando Pessoa? Eu não!
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
"...é a vida, mais que a morte, a que não tem limites"

"O comandante olhou Fermina Daza e viu em suas pestanas os primeiros lampejos de um orvalho de inverno. Depois olhou Florentino Ariza, seu domínio invencível, seu amor impávido, e se assustou com a suspeita tardia de que é a vida, mais que a morte, a que não tem limites." Gabriel Garcia Marquez, O Amor nos Tempos do Cólera
Estava me lembrando do final do Cyrano de Bergerac, quando ele, já morrendo, tem uma alucinação e acha que está enfrentando novamente todos os inimigos que teve em vida. Ele sabe que vai morrer e ainda assim quer lutar de pé, pois "não se luta só para vencer". Fiquei me lembrando disso. "Não se luta só para vencer". E aí me veio o Gabriel com o trecho do livro sobre o qual montei "O Cheiro das Amêndoas Amargas" e a descoberta de que "é a vida, mais que a morte, a que não tem limites"...
Se pensarmos que vamos todos morrer um dia - até o Roberto Marinho que dizia "...se um dia eu vier a morrer" morreu - essa luta é inglória, pois perdemos no final... Mas tem alguma coisa irônica na vida que nos convence a cada dia que passa que a luta vale a pena, ainda que seja uma luta de Cyrano. São as pessoas que encontramos pelo caminho e as coisas das quais passamos a fazer parte e que são maiores do que nós.
Elas enganam a morte. E mesmo ela, a vitoriosa no final, é trapaceada.
Eu trapaceei a morte com o "Dzi Croquettes". Com este quadro que não sei porque chama "Serpentes Marinhas", já que o mais bonito são as costas nuas da figura, que dão vontade de iluminar com a projeção de alguma imagem. Com os amigos queridos que estiveram próximos no melhor estilo "uma dor repartida é uma meia dor, uma alegria repartida é uma alegria em dobro". Com os alunos em início de semestre ávidos pelo novo. Com os Imaginários e o Kafka.
Obrigado Paulinho, Marina, Andréa, André, Natália. Obrigado Denise. Obrigado Baba, Nardoni, Litto, Lucas, Japa. Obrigado aos Meninos Perdidos das terças e quintas à noite. Obrigado Carol e Lu.
Obrigado Renata.
domingo, 1 de agosto de 2010
Cyro del Nero ou A Falha Trágica
Quando minha mãe morreu, lembro-me do Cyro dizer: "a melhor vingança é viver bem". Não sabíamos se haveria um padre no velório e ele sugeriu, na ausência de um sacerdote, que alguém lesse a Carta de Paulo aos Coríntios. O padre veio e em meio à dor pensei que no final das contas a leitura da Carta seria melhor.
Cyro me enganou. Passou por uma cirurgia delicada, aos 78 anos. Teve que voltar para a sala de cirurgia meia hora depois de ir para o quarto. Ficou por lá mais não sei quantas horas. Uma terça-feira tensa. Achei que não fosse suportar. Suportou. Nos primeiros dias de UTI, sedado ou semi-sedado, com alucinações vindas da anestesia (duas em um único dia), foi melhorando aos poucos. Uma semana após a operação, ele em seu último dia de UTI (no dia seguinte foi para o quarto) e apesar do cansaço e abatimento naturais, me parecia bem.
Cyro fênix. Refazendo-se. Como escrevi no livro que lhe dei, El Libro de los Seres Imaginarios, do Borges. Ele era o ser imaginário da página 37, "El ave Fenix".
Na sexta faleceu, de madrugada. Me enganou. Como o Lawrence Olivier de quem ele gostava tanto, me convenceu de que estava bem.
Todo herói grego tem sua "falha trágica". O excesso que ao final das contas humaniza. O herói sabendo ou não disso trai a si mesmo e revela seu lado mais frágil.
O que mais me comove no Cyro não é sua erudição, a admiração pela sua experiência e pela sua vida, sua obra ou sua força criadora. É a falha trágica. A emoção que sempre esteve escondida na sua pinta de lorde inglês. Mais Brás e menos Alemanha. Inúmeros exemplos me vêm à cabeça, mas fico com a frase de cima: "a melhor vingança é viver bem."
Vinguei-me da vida que me levou o Cyro, depois de voltar da cerimônia no Cemitério Primaveras em Guarulhos, vendo o "Dzi Croquettes" no Reserva Cultural.
Ele teria dado uma gargalhada.
Um grande beijo mestre querido.
sábado, 31 de julho de 2010
árido
a coisa mais árida da vida é a morte, a secura que ela traz em tudo.
deve ser por isso que a gente chora, para pelo menos uma gota d´água lembrar que ainda tem vida por aí.
deve ser por isso que a gente chora, para pelo menos uma gota d´água lembrar que ainda tem vida por aí.
terça-feira, 27 de julho de 2010
O coração

O coração é um órgão muscular oco que bombeia o sangue de forma que circule pelo corpo. Apesar de não fazer parte do cérebro, ele muitas vezes rouba para si as funções que deveriam ser próprias daquele e geralmente as executa de maneira menos competente, em especial quando associadas com os órgãos da visão e sexuais. Entretanto, nem sempre esta conjunção é maléfica já que o oposto - o domínio exclusivo do cérebro - costuma conferir uma vida vegetativa ao indivíduo.
O coração é um músculo ímpar no organismo humano, pois tem a agressividade de quem bate durante toda a existência. Porém, é engano pensar que quantidade e intensidade sejam proporcionais, uma vez que os golpes que ele sofre, mesmo em menor número, não são menos destrutivos que suas batidas diárias.
O coração sofre obstruções de todos os tipos, entupimentos, arritmias, paradas momentâneas, sopros, fraquezas, sangramentos, dores agudas, apertos. Mas ele é feito para sobreviver.
Estava eu com meu coração moído que nem conta no banco Itaú tem quando chega a notícia de outro coração que logo sairá da cama do hospital. E ele reage.
O coração é um órgão muscular oco, que bombeia o sangue para o corpo e que mesmo cheio de cicatrizes e pancadas sobrevive. Talvez baqueado mas ali. Como um Escort velho que nos leva ainda.
Ele nos leva ainda. Nos leva ainda. Nos leva ainda.
"A melhor vingança é viver bem." (Cyro del Nero)
P.S.: Na imagem do Klimt, um coração visto por dentro
domingo, 18 de julho de 2010
Da Cama do Hospital
Ele estava lá, do alto dos seus oitenta anos.
Me pareceu bem, para alguém que espera uma cirurgia de ponte de safena na terça-feira. E me pareceu que depois de tudo, os mal entendidos não valem muita coisa. E pela primeira vez em muito tempo realmente me pareceu que a vida filtra tudo e o que importa mesmo persiste. Não, não se iluda: as pessoas são a única coisa que importa, realmente.
Penso que um leito de hospital é o altar da reflexão forçada. Quanto mais longa a vida mais densa fica essa reflexão, especialmente quando ela corre risco. Não um acidente. Não o inesperado. Mas a consciência de que alguma coisa começa a falhar. O coração certamente não foi pensado para aguentar tanto, de tantos lados. Como músculo, ele sobrevive, o que não o mata o torna mais forte talvez, o exercita, mas nesse exercício de sobre-vida alguns escolhem que ele bata mais, outros, menos. Não sei.
A vida é grande demais. Nossa humanidade deveria constituir-se em não disfarçar nossa incapacidade de viver com uma vida que pulsa de fora para dentro; nosso desamor com desapego; nossa fragilidade com palavras bonitas e racionalidade. Odeio as palavras. Elas não resistem a um abraço, a um aperto de mão, nem à troca de calor entre dois corpos calados. Mas nossa vida insiste em fazer esse tipo de substituição.
Força velho amigo. Volto terça para usar as palavras, espero, para escrever sobre a sua cirurgia bem sucedida, já que sua recuperação deve demorar um pouco para meu abraço e meus cumprimentos por uma vida nova.
Me pareceu bem, para alguém que espera uma cirurgia de ponte de safena na terça-feira. E me pareceu que depois de tudo, os mal entendidos não valem muita coisa. E pela primeira vez em muito tempo realmente me pareceu que a vida filtra tudo e o que importa mesmo persiste. Não, não se iluda: as pessoas são a única coisa que importa, realmente.
Penso que um leito de hospital é o altar da reflexão forçada. Quanto mais longa a vida mais densa fica essa reflexão, especialmente quando ela corre risco. Não um acidente. Não o inesperado. Mas a consciência de que alguma coisa começa a falhar. O coração certamente não foi pensado para aguentar tanto, de tantos lados. Como músculo, ele sobrevive, o que não o mata o torna mais forte talvez, o exercita, mas nesse exercício de sobre-vida alguns escolhem que ele bata mais, outros, menos. Não sei.
A vida é grande demais. Nossa humanidade deveria constituir-se em não disfarçar nossa incapacidade de viver com uma vida que pulsa de fora para dentro; nosso desamor com desapego; nossa fragilidade com palavras bonitas e racionalidade. Odeio as palavras. Elas não resistem a um abraço, a um aperto de mão, nem à troca de calor entre dois corpos calados. Mas nossa vida insiste em fazer esse tipo de substituição.
Força velho amigo. Volto terça para usar as palavras, espero, para escrever sobre a sua cirurgia bem sucedida, já que sua recuperação deve demorar um pouco para meu abraço e meus cumprimentos por uma vida nova.
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