segunda-feira, 6 de junho de 2011

NIKLASSTRASSE, 36


Baseado na obra A Metamorfose, de Franz Kafka, o espetáculo Niklasstrasse, 36 mostra uma manhã que deveria ser como outra qualquer, mas que marca, definitivamente, a vida de Gregor Samsa. A metamorfose já aconteceu. O que o espectador vê, ao longo da fábula kafkiana, é a transformação do entorno, das pessoas que convivem com Gregor - a clareza cada vez mais nítida sobre a perversidade das relações familiares, das estruturas de dominação e submissão e da alienação humana. Com Aline Baba, Camila Nardoni, Luana Frez, Lucas Almeida e Mariana Viana. Direção René Piazentin.



Teatro Cacilda Becker - Rua Tito, 295, Lapa

de 03 a 26 de junho de 2011

Sextas e sábados as 21h e domingos 19h

Ingressos: R$10,00 (meia R$5,00)

terça-feira, 3 de maio de 2011

BL

Oito horas da manhã. O interfone toca. Acordo, assustado, e atendo. Não tenho o costume de receber visitas nesse horário, em dias normais ainda não levantei sequer. Caminho até a cozinha e atendo.
"Tem um senhor aqui embaixo querendo subir."
"Quem é?"
O porteiro pergunta para a pessoa e não consigo ouvir a resposta. Ele pergunta de novo, como quem não entendeu o nome. Ouço ele repetir a pergunta umas três vezes.
"Deixa eu falar com ele."
"Alô?", falo ao interfone, já consciente da mania dos porteiros em transformar Gláucia em Cássia, Thiago em Danilo, Luís em Juarez.
"Bom dia. Estou incomodando?"
"Quem é?"
"O Osama. Posso subir?"
"Osama?"
"Podemos conversar aí em cima?"
"Eu não conheço nenhum Osama."
"Eu preferia não conversar na presença do seu porteiro."
O porteiro parece tomar o interfone das mãos do visitante, pelos ruídos. É ele quem retoma a conversa.
"O senhor conhece?"
"Não que eu me lembre."
"Ele quer subir."
"Espera. Eu vou descer."
O tempo do elevador me deixa tirar duas ramelas do olho e só. Nem sei por que não ignoro simplesmente e volto a dormir, mas desço. Quando chego na portaria vejo um senhor de uns sessenta anos, pela barba já grisalha, magro e usando um turbante branco. Tem uma grande mochila nas gostas e uma AK-47 a tiracolo.
"Quem é você?" pergunto. Ele apenas faz um sinal de silêncio com o indicador entre os lábios e me pede para subir com um levantar de olhos. O porteiro, sem entender nada, levanta-se da sua cadeira e parece começar a ir ao encontro do estranho visitante, de forma automática, sem saber ao certo o que irá fazer.
"Tudo bem", digo olhando o porteiro, e caminho até o elevador, abrindo a porta e indicando ao visitante que entre.
Subimos. Os vinte segundos que o elevador demora parecem uma eternidade. Durante a "viagem" o visitante não fala nada, apenas conserva um sorriso enigmático nos lábios.
"Entre", digo a ele, abrindo a porta do apartamento.
"Você tem café?" são as primeiras palavras do visitante, em português castiço.
"Posso fazer."
"Bem forte, por favor", ele diz, completando: "não durmo há dias."

Maio, junho...



domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa!



Questões sobre a Páscoa:

- Segundo a Wikipedia, "para entender o significado da Páscoa cristã atual, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar os antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera (...), a deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Deméter. Na mitologia romana, é Ceres". E o chocolate, onde entra?

- Se a meta era misturar mamíferos e ovos, não deveríamos ter ornitorrincos de chocolate?

- Depois da invenção do ovo trufado, os demais não parecem sempre uma versão antiquada do modelo definitivo? É injusto, mas é uma sensação real.

- Por que alguns ovos tem bomboms dentro e outros não? Como saber se ele é "bom o suficiente" ou "vagabundo demais" para estar oco?

- De uma vez por todas: chocolate branco é chocolate mesmo ou uma massa doce genérica que se aproxima da idéia?

- Se a maioria das pessoas faz promessa de regime Pós-Páscoa, para onde vão os ovos e chocolates que sobram após o domingo? Seria justo um Instituto Pós-Páscoa que os recolhesse para as crianças famintas da África Central?

- Algum estudo poderia comprovar que os casos de diabetes aumentam logo após a Páscoa?

- Aliás: Ovo Diet é enganação ou o Ministério da Saúde endossa seu consumo?

- Se algumas mulheres dizem que o chocolate substitui o sexo, no caso da Páscoa as pessoas poderiam dar sexo ao invés de ovos? Como seria a logística disso?

- Qualquer personagem de ficção ou realidade pode ser "tema" de ovo de Páscoa? Quais os critérios? Pucca, Hello Kitty e Ben10 não ficariam melhor em buffet infantil oriental? E a Polly Poket, no melhor estilo mini Barbie anoréxica, não parece induzir inconscientemente as crianças a vomitarem escondidas seus ovos depois de se entupirem deles?

- Existe mensagem subliminar nos Ovos de Páscoa? Sua família ama você de acordo com o tamanho do ovo? Sua namorada escolhe cores e temas de acordo com o que acha de você? Devo ficar preocupado se o ovo não for azul?

- Se o real sentido da Páscoa é ressurreição, não seria mais adequado uma lagartixa de chocolate?

- Aliás, onde entrou o chocolate na história?

- Para recuperar o sentido religioso, imagens ou cruzes de chocolate ficariam muito de mau gosto?

- As missas de Páscoa poderiam ter hóstias de chocolate, tipo "mentinha"?

Enfim...

Espero que a Páscoa de todos os eventuais leitores deste post tenha sido muito boa e que besteiras à parte o sentido de "renovação" tenha superado chocolates, bebedeiras de feriado, etc, etc, etc...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pina Bausch



Ano passado eu estava no trabalho pela manhã justamente vendo como conseguir ingressos para o espetáculo da Pina Bausch ("nossa, vai ter Café Muller, genial!") quando vi a notícia que ela tinha morrido... Fiquei tão passado quando soube que acabei nem vendo. Acho que no meu imaginário ela própria dançaria no "Café Muller" - coisa que até hoje eu não sei se foi fato ou apenas Vida Imaginada minha - e depois dela morta me deu uma sensação de que iria assistir algo com o pé quebrado, ou mesmo um evento que pela força das circunstâncias ganhava tons bem mórbidos. E não fui. Burrice minha. Porque quem viu gostou muito e ainda por cima disse que "A Sagração da Primavera" era ainda melhor que o "Café".

Hoje, às vésperas de voltar a ver a Pina (quer dizer, sua companhia), me sinto de coração leve, sem expectativas, apenas com a sensação boa de que será um prazer ter de novo contato com sua obra. Porque ela estará ali, de uma forma ou de outra. Como também estaria, de uma forma ou de outra, no "Café Muller" no ano passado.
Talvez, no final das contas, quem não estivesse seria eu, não ela, por esperar que ela me atendesse todas as expectativas...

Feliz 19 de abril, Pina. Esteja onde estiver, eu estarei ali com um pouco de você que ficou por essas bandas.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rio de Janeiro, 7 de abril de 2011



Não há muito a dizer quando o absurdo dá as caras.

‎"Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz."

(Tom Jobim)

segunda-feira, 4 de abril de 2011



É, Snoopy... Nem a camiseta tá na cor certa.