
Ano passado eu estava no trabalho pela manhã justamente vendo como conseguir ingressos para o espetáculo da Pina Bausch ("nossa, vai ter Café Muller, genial!") quando vi a notícia que ela tinha morrido... Fiquei tão passado quando soube que acabei nem vendo. Acho que no meu imaginário ela própria dançaria no "Café Muller" - coisa que até hoje eu não sei se foi fato ou apenas Vida Imaginada minha - e depois dela morta me deu uma sensação de que iria assistir algo com o pé quebrado, ou mesmo um evento que pela força das circunstâncias ganhava tons bem mórbidos. E não fui. Burrice minha. Porque quem viu gostou muito e ainda por cima disse que "A Sagração da Primavera" era ainda melhor que o "Café".
Hoje, às vésperas de voltar a ver a Pina (quer dizer, sua companhia), me sinto de coração leve, sem expectativas, apenas com a sensação boa de que será um prazer ter de novo contato com sua obra. Porque ela estará ali, de uma forma ou de outra. Como também estaria, de uma forma ou de outra, no "Café Muller" no ano passado.
Talvez, no final das contas, quem não estivesse seria eu, não ela, por esperar que ela me atendesse todas as expectativas...
Feliz 19 de abril, Pina. Esteja onde estiver, eu estarei ali com um pouco de você que ficou por essas bandas.
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