
Eu não assisto peças para não gostar delas.
Também não entro no teatro aplaudindo antes. Não entro aplaudindo nem vaiando antes da peça começar. E fui ao SESC Santana para ver o Beckett do Peter Brook.
Gosto da simplicidade, como quem assiste quase um ensaio, não um espetáculo nos moldes tradicionais de uma produção teatral. Gosto de despojamento do espaço vazio, da ausência de chapéus coco e maquiagem pálida, gosto dos atores de diferentes nacionalidades.
Se disser do que não gosto conto a peça para quem ainda não viu - ela estreou hoje - e como esse blog é extremamente visitado (coisa de duas ou três pessoas por dia, num bom dia) não decepcionarei vocês. Ok, isso foi uma piada.
Prestem atenção em "Rockaby" (cadeira de balanço, a segunda peça curta).
Eu vi a Sophia Micopoulo fazendo a mesma cena, dirigida pelo Terzopoulos. Maravilhosa.
Foi bom reencontrar o texto. Ver outra leitura dele. Relembrar momentos.
Acho que isso estalebece uma relação afetiva com o "Rockaby". Mas mesmo assim, acho que é o melhor momento da peça do Brook.
Nesse meio tempo contagem regressiva para "Peer Gynt" amanhã (hoje).
Reflexões com os Imaginários sobre Hamlet, processos e afins.
Papo com Juliana Jardim sobre Brook e outras coisas.
No meio, a lembrança de um sonho:
O sujeito entra em uma caverna. Anda dentro dela e encontra um buraco no chão, com uma escada daquelas verticais, de ferro. Vai descendo por ela até o final, onde está totalmente escuro e, ao largar a escada, há uma espécie de lago onde ele nada. Tudo escuro. Ele quer voltar mas não encontra mais a escada com a mão.
O que isso tem a ver com o Beckett?
Não sei. Tem?
Até outro dia (amanhã?) depois da estréia do Peer.
Acho bom dormir um pouco. Ou coisa parecida.