"Rocky" nunca foi uma figura levada muito a sério. Pouca gente lembra que o primeiro filme da série ganhou um Oscar, vencendo inclusive o "Taxi Driver"... Mas ganhar um Oscar também não significa necessariamente qualidade...
Acho que o Stallone colaborou muito para isso. Entretanto, longe de ser um bom ator, para papéis de Stallone ele funciona bem. E aquele boxeador meio debilóide e fracassado não poderia ser interpretado por outro cara. Bom, tudo isso para citar uma cena específica, do Rocky V, em que ele lembra de alguns conselhos de Mickey, o treinador octagenário que está nas últimas desde o primeiro filme e morre no terceiro.
A morte. Por que seguimos adiante, se conforme vivemos tanta coisa nos é tirada?
Quando alguém morre parece que leva junto um pedaço nosso. Um braço, uma perna, um pedaço do coração às vezes. E na ausência de seres mitológicos no nosso dia a dia nós mesmos temos que ser fênix em vida e aprender a recomeçar. Ou uma lagartixa - para ser menos poético - que faz o braço, a perna ou o pedaço do coração nascer de novo.
Na sua truculência de mau ator Stallone é um pouco como nós. Nós também não sabemos como atuar direito na vida. Não ensaiamos o suficiente, o texto não nos é dado com antecedência e o diretor ninguém conhece - quando muito, com sorte, vivemos em um "processo colaborativo". Ficamos abobados, dando murros para todo o lado, com a boca torta e caindo na lona de quando em quando.
Quando você resolve fazer teatro, existem mil motivos para desistir, todos - ou muitos deles - bastante legítimos. Mas ainda acho que a insistência mostra novos caminhos. Com a vida é a mesma coisa.
Afinal o coração é um músculo.
E talvez o contrário de "morte" não seja "vida", mas "amor".
3 comentários:
O Sempre apaixonado René, sabe essa é uma qualidade que eu vejo em você desde que o conhece a anos atrás, montando O Burguês Fidalgo.
O Homem sensível que atria olhares de mulheres que ainda não consebem um homem que gosta de Clarice Lispector, te acham profundamente enigmático. Mas assim eu te vejo simples, fácil... vejo um homem com gostos aleátorios, com suas instabilidades e suas sacadas, um homem como qualquer outro, apaixonado concerteza, mas simplesmente um homem.
Será que o Leco Vilela te sacou ou sacou a nós todas??
Não te acho enigmático... mas talvez essa seja uma boa palavra para te descrever no senso comum, pois certamente há muitas paixões e interesses em você e de certa forma fica tudo meio assim guardado... esperando a hora de aparecer. Como se faltasse espaço (ou até mesmo tempo!!) pra tudo isso aparecer, então vem a conta gotas, quase timidamente (isso tem seu charme, não meninas?).
Ainda bem que tem o teatro, que ali você pode e consegue se expressar, mostrando seu lado menino e ao mesmo tempo homem - de fantasia, de sonho e de possibilidade de realização: o mundo inteiro cabe ali!O René inteiro cabe ali. E cabe mais, sempre mais.
Que o seu coração lutador (pra usar a sua analogia) continue batalhando - abobalhadamente, se for necessário - nessa linda colaboração que é a vida.
que kut kut
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