terça-feira, 6 de julho de 2010

"Você gosta dos heróis tortos, não?"



Ontem terminaram as apresentações do "Cyrano de Bergerac" no Macunaíma.
Com todas as ressalvas de uma montagem de um curso técnico, fica uma sensação de gratidão por ter trabalhado um universo que na minha opinião vale a pena ser discutido. Esses tais "heróis tortos", como alguém comentou após a sessão comigo.
Não vou me estender sobre isso porque quando comentei do "Quixote" (que Cyrano, no texto, chama de "meu irmão")já falei do anti-herói e sua humanidade, nada muito original mesmo.

Mas em época de Copa do Mundo, vale lembrar que não é a simples derrota que faz um anti-herói que se preze. Se fosse assim, o Dunga seria um exemplo. E não é que brigaram comigo por causa do Dunga esses dias? Tenha santa paciência. Tem coisas que não vão para frente só porque nos convenceram de que apesar de tudo deve-se sempre estar de acordo. Qualquer idéia que não contenha em si uma auto-crítica (religião, política, pátria, time, o que for) só nos mantém na ignorância. Pelo amor do Cristo!

Será que vivemos em um tempo onde a noção de "nobreza" se perdeu? "Nobreza" não no sentido elitista do termo, mas de grandeza de aspirações, de idéias, de sonhos... Coisa que o Dunga não tem, certamente. Ele é só turrão, como o nome tirado dos sete anões sugere - na verdade um misto de Zangado com Soneca. Mas falar do Dunga também não vale a pena. Que ingenuidade nossa engolir qualquer coisa que nos é colocada no prato!

Hoje foi um dia triste, a Copa deu seu último suspiro para mim com o Uruguai saindo. Mas foi um jogo de Copa do Mundo mesmo. Coisa que o Brasil só teve nos primeiros 45 minutos do jogo derradeiro. O Dunga não é anti-herói. É pastiche de protagonista. E o Felipe Mello é vilão de quermesse. E não adianta viver de glória do passado. Não somos melhores que ninguém antes que o jogo acabe.

Anti-herói foi o Suárez do Uruguai, que tirou a bola do gol, consciente da expulsão, sem ser desleal - pagou o preço e deu ao seu time a última chance. E deu certo. Esse sim é o Cyrano uruguaio, o Quixote uruguaio. Melhor que nossos heróis por excelência - Kaká, principalmente - que tem como álibi o currículo e não o que produzem aqui e agora em campo.

Ops, aqui e agora não, já devem estar vendo o final da Copa pela televisão.
Acho que para eles a Copa nem acabou, devem estar rindo e comendo pipoca enquanto as pessoas ingênuas brigam por causa desse bando de milionários...

2 comentários:

Amélie disse...

Uff, eu sabia que era falta de tempo...adorei a peça, mesmo tendo visto na estreia 19 Horas. Muitos mesclados Cyranos em suas facetas várias...adorei a solução criativa e enriquecedora do personagem. Vc escreveu a música dos Gascões? Confesso não ter lido o original, mas ficou supimpa!

Amélie disse...

Ufa! Sabia que era falta de tempo a sua ausência ... Adorei a peça!Mesmo vendo a estreia.... Muitos e mesclados Cyranos em suas facetas várias... e lá vai o diretor , quem sabe em sua versão de heroi torto, resolver o dilema de encaixar mil alunos num personagem e conseguir enriquecê-lo ainda mais.

Bravo mon ami!

E bem vindo de volta ao seu blog.