segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo ou como recomeçar



Na foto minha amiga Ana com uma amiga dela e a Sofia (nome provisório) dentro da barriga. A Sofia nasceu dia 17 agora. E hoje vai ganhar o nome definitivo. Eu espero que não seja Sofia... Mas mesmo assim ela inaugura as boas novas de 2010!

Feliz Ano Novo! Como diria um amigo que me mandou um sms na virada, "temos novamente 365 oportunidades de dizer sim à vida". E eu, sem muita criatividade, encaminhei o sms para outros contatos. Que ele entenda como um "sim" da minha parte à sua mensagem, e não simplesmente preguiça em pensar em algo melhor. E no exercício do plágio, para os que receberam meu sms encaminhado, que pensem que fui eu que escrevi, sem problemas.

Volto ao trabalho hoje sem muito o que fazer. São Paulo insiste em ser Manaus - muito calor e chuvas com hora marcada. Tempestades súbitas. Fui vítima de uma delas no sábado. Questão: será esperar muito dos motoristas de ônibus, em casos de enxurradas monstro, cuidar para não darem um banho cruel nas pessoas que tentam se abrigar nas marquises e toldos contíguos aos pontos?

A noite do domingo não passava. Será simples retomada do horário normal ou insônia mesmo? Por que questões existenciais, profissionais e estéticas têm mania de aparecerem justamente quando a gente quer que o cérebro descanse? Se "mente vazia é oficina do diabo", será justamente quando queremos esvaziar a mente que ele começa a trabalhar nela, ignorando o nosso sono necessário? Depois de Natal com Franz Kafka e Ano Novo com Ibsen, com quem serão os próximos feriados? Carnaval com Gordon Craig e Páscoa com Artaud (Carnaval com Artaud seria muito, "muito roots"...)? Pessoas vivas, apareçam, sim?

O que me atormentava ontem era a necessidade de um único projeto que conseguisse me alimentar. Mas parece que cada vez mais meu organismo estético almoça em restaurantes por quilo: o prato único deu lugar à variedade... Carne, peixe, frango e macarrão em um mesmo prato. Dá-lhe digestão. Até quando? Até porque "passarinho que come pedra..."

xxx

Existem formas de pensamento um tanto compartimentadas que nos são herdadas e guiam nossas escolhas. Não sei se forte demais pensar em "cânones" de ação, de opção, de conduta, de estética. Como se não fosse possível criar parâmetros. Estava lendo a tradução do Ferreira Gullar do "Cyrano" e ele comenta que Edmund de Rostand escreve uma peça de "romantismo tardio" e que na tradução ele tentou suavizar um pouco o clima exageradamente romântico. Ok, percebe-se isso na tradução sim, em contraponto com outras versões traduzidas mais "ao pé da letra". Mas uma questão que se colocaria logo de início ao trabalhar com este texto não seria: como correr o risco de adentrar nesse clima para talvez transcendê-lo? Até porque Cyrano é um herói romântico, bipartido (como o texto mostra na idealização da soma Cyrano - Christian) mas romântico.
Eu não gosto especialmente de Renato Russo, aliás nunca engrossei o coro dos que o consideravam gênio, poeta de uma geração, etc... Mas me lembro de uma entrevista que ele deu, já bastante comprometido pela doença, onde comentava sobre um disco solo que lançou só com músicas em italiano. Renato dizia que queria fazer um disco "brega mesmo" e que ao final nem tinha achado tão brega assim. O que me chamou a atenção foi o fato dele ter ido atrás de algo que queria fazer e realmente realizar isso, a despeito da crítica ou dos riscos de sentimentalismos, etc... Foi lá e fez. Até porque sabia que o tempo estava contra ele. E nós, jovens (ou pelo menos relativamente jovens) e sadios (ou pelo menos relativamente sadios, sem uma doença terrível nos lembrando do nosso prazo de validade à toda hora) o que fazemos?
Outro dia conversei com um colega que lembrava de suas realizações há dez, quinze anos atrás. Eu parei e disse: "não é um absurdo fazermos menos agora, que temos melhores condições, que há dez, quinze anos atrás?". Ele concordou.

Urgência de realizar. Mesmo correndo riscos.

Um comentário:

Naty Dezoti disse...

A vida é cheia de riscos.
E é tão bom arriscar, correr perigo e sair ileso e aliviado.

Beijo de 2010 gostoso.
E beijo na Sofia (ou não Sofia)