
“Foi num desses dias, quando está prestes a nevar e há uma eletricidade no ar.
Você quase pode ouvir, certo? E este plástico estava simplesmente dançando para mim como uma criança chamando para brincar... por quinze minutos.
Foi quando entendi que havia essa vida toda por trás das coisas e essa incrível força benevolente que dizia não haver razão para ter medo.
No vídeo, eu sei, não é a mesma coisa, mas ajuda a lembrar.
E eu preciso lembrar.
Às vezes, há tanta beleza no mundo!
Penso que não vou suportar e meu coração parece que vai sucumbir.”
Eu assisti de novo ontem, em DVD. E confirmei como a memória guarda cenas que certamente são achados, que foram feitas para serem registradas mesmo, apesar dos anos - já se vão 9 da estréia do filme por aqui - de dezenas de outras referências que se agregam a nossa mente, etc...
Com tantos atores maravilhosos, um roteiro excelente - apesar das críticas da época que preferiam o "Felicidade", que aborda temas semelhantes mas de forma mais rasgada - a cena mais memorável é um achado: a imagem de um saco plástico dançando ao vento.
Um saco plástico dançando ao vento. A nossa capacidade imensa em transferir humanidade até mesmo ao que é inanimado. Um saco plástico que parece criar vida ao ser levado pelo vento. E que ao mostrar essa humanidade na nossa cara é o estopim da reflexão acima.
"A vida se me é", diriam alguns. A vida basta-se a si mesma, e eu, inserido nela, a bebo, mesmo sem perceber. E o saco plástico te mostra que você está vivo. E isso é grande. "Não sei se o amor é grande ou eu que sou pequena demais", diria a Antônia do Jardim de Polvos. A vida está por detrás de tudo. A gente até pode sentir medo, mas não adianta. A vida segue, o mundo continua com ou sem nós, não adianta. Medo de quê?
Às vezes, há tanta beleza no mundo... Penso que não vou suportar e meu coração parece que vai sucumbir.
2 comentários:
ontem tava no metro voltando do macunaima, um cara entrou no vagão abriu uma bala e jogou o papel no chão... foi uma viagem bem longa da Sta. Cecilia até a Sé, maldita ou bendita seja a consciência que martelava na minha cabeça "Tá vendo todo mundo achou errado o cara fazer isso, todo mundo fez cara feia, ninguem fez mais nada e ae seu trouxa, vc vai ficar sentado fazendo cara feia, sendo igual a todo mundo, ou não? vai fazer alguma coisa!"... coisas inanimadas não é?... de uma forma diferente, mas tbm mexeu comigo.
Todas as vezes que vejo um saco plástico voando nas ruas, lembro de Beleza America...
Hoje estava pensando sobre isso, fui pesquisar e...acabei caindo aqui...
Olhos atentos percebem a poesia em tudo, nos detalhes mais sutis...
A vida realmente está por todos os lados...transpirando, respirando..."sendo" o tempo inteiro...
Aliás, que tempo? Que espaço?
É preciso imaginação...e muita respiração...
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