
Hoje é 27 de março.
Provavelmente não é um dia especial para muitos. Me parece até que é dia Mundial do Teatro.
Mas o que significa isso? O que quer dizer um "dia mundial" de qualquer coisa?
Os próprios aniversários, nossos "dias mundias pessoais", perdem um pouco o sentido algumas vezes. Que dirá um "dia mundial do teatro".
Precisamos de teatro? Dizem que sim, e sigo crendo nisso. Como diria o Nietzsche, ele faz parte daquilo que temos para poder encarar melhor a Verdade: a Arte.
Leio outra frase solta, do Manoel de Barros: "tudo aquilo que não invento, é falso." Barros parafraseando Nietzsche. Um dia de frases soltas, pelo visto. Ao menos começa assim.
E hoje é 27 de março.
A gente as vezes não se lembra do que comeu no dia anterior. Eu me lembro do que comi há um ano: salada e suco de uva. Engraçado isso. Mas não lembro de ter sido dia Mundia do Teatro. Será que, como a Páscoa ou o Carnaval, o dia Mundial do Teatro também se move? Será um dia que não tem data fixa para ser comemorado?
Os Beatles fizeram o "Fool on the Hill" para o Quixote sabendo ou não disso. E aí está a foto da melhor homenagem que eu posso fazer ao tal teatro que o dia mundial do teatro deve estar homenageando hoje. Porque sendo comercial ou experimental, adulto ou infantil, romântico ou político, stanislavskiano ou brechtiano, pós dramático ou tchekoviano, musical ou físico, textocêntrico ou performático, o teatro deveria antes de mais nada fazer com que ficássemos com saudade. Saudade de nós mesmos. De algum encanto que ficou para trás. Deveria fazer com que nos lembrássemos do que poderíamos ter sido antes que a amargura, a desilusão, a dor, a preguiça, o medo ou a angústia nos calejasse.
O teatro tem de nos fazer melhor como pessoas. Até que ele mesmo não seja mais necessário.
"Quando o filósofo Jung foi interrogado sobre o problema da crença em Deus, respondeu que não sabia se Deus existia, mas que, na sua opinião, a crença em Deus era algo útil e eficaz. Não é impossível que o mesmo se refira também à Beleza. Pelo fato de que a imagem de Deus seja diferente aos olhos de cada homem, pelo fato de que o sentimento do Belo também seja subjetivo, podemos certamente concluir que nem Deus, nem o Belo, nem a religião, nem a arte existem e que, em todo caso, na sociedade ideal, o homem ideal não terá mais necessidade de procurar em Deus ou na Arte a sua personificação da perfeição. Doravante, ele mesmo a encarnará.
Contudo, enquanto o homem real e imperfeito tender para uma felicidade maior, um maior equilíbrio, uma harmonia maior, ele experimentará a necessidade de sentir, por vezes, em momentos privilegiados, que pode identificar-se ainda que por um instante, àquilo que parece ser a realização do seu ideal. (...) Não, não é uma mentira, mas um mito diretor, sem o qual aquilo que não existe jamais existiria. É a única justificativa para a nossa presença sobre a terra, para os nossos trabalhos, para o nosso sofrimento."
Pierre-Aime Touchard
3 comentários:
continuamos seguindo, tentando justificar o injustificável... navegando...navegando... em busca de uma Hydra que nunca chega. Nem com a "luneta"...
"we're such stuff as dreams are made on"
Agora sei um pouco mais de você...mesmo que não seja significante, ou sendo, enfim...
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