domingo, 24 de janeiro de 2010

Cibelle

Lay your head where my heart used to be
Hold the earth above me
Lay down in the green grass
Remember when you loved me
Come closer don't be shy
Stand beneath a rainy sky
The moon is over the rise
Think of me as a train goes by
Clear the thistles and brambles
Whistle 'Didn't He Ramble'
Now there's a bubble of me
And it's floating in thee
Stand in the shade of me
Things are now made of me
The weather vane will say
It smells like rain today
God took the stars and he tossed them
Can't tell the birds from the blossoms
You'll never be free of me
He'll make a tree from me
Don't say good bye to me
Describe the sky to me
And if the sky falls, mark my words
We'll catch mocking birds
Lay your head where my heart used to be
Hold the earth above me
Lay down in the green grass
Remember when you loved me
Remember when you loved me
Remember when you loved me


Cibelle chegou via msn, transferência de arquivos - meus arquivos recebidos: Green Grass- Cibelle. Você ouve a música e imagina os créditos subindo na tela preta do cinema...

A diferença entre a vida e os filmes do cinema é que, para bem ou para mal, mesmo nos dias em que a sensação é de créditos finais subindo na tela preta, há sempre outra sessão.

E é um pouco reconfortante ver a Michelle Pfeiffer com quase 52 naquela forma. Nada como uma musa da velha guarda para lembrar a todos que existem muitas mulheres lindas no cinema, mesmo que a mais sexy atualmente seja azul, tenha 3 metros e chame-se Neytiry.

Por falar em atrizes dos filmes que estão em cartaz, vamos ser sinceros: comentar que a Penélope Cruz é maravilhosa já é lugar comum. Alguém pode dar atenção à Kira Miró, a loira que aparece na primeira cena? Assim, só por justiça à moça...

E falando em cinema, pelo visto o Nine com o Daniel Day-Lewis vai fazer com que muita gente inveje a vida de diretor de cinema. Aliás, com direto à Penélope Cruz no elenco (a Kira Miró bem que merecia uma ponta...). E a Fergie. Ê Fergie... A prova viva de que mais do que ouvir (bem mais) devemos ASSISTIR os clips do Black Eyed Peas...

Enfim, um monte de besteiras para não discutir a letra da música da Cibelle. Mas tem tradução na net. Quem quiser, dá uma olhada. Ou melhor, ouve também.

domingo, 10 de janeiro de 2010

"Encontro de Casais" ou "Porque não assistir qualquer outra coisa quando seu foco inicial está com ingressos esgotados"



Eu já devia ter aprendido.
Há pouco tempo atrás fui assistir "Lamartine" no SESC Consolação. Era um sábado e descubro que a peça estava em cartaz apenas às quintas. Sempre fiel ao Antunes, tento a "Falecida Vapt-Vupt" e a moça da bilheteria me informa que estava esgotada até o final da temporada. Muito bem. Restou "Sonho de Outono", sobre o qual não sabia absolutamente nada. Peguei o programa e nem quis ler. "Vou entrar de coração aberto", pensei, "sem saber nada sobre a peça". Será que no meu íntimo esperava uma experiência reveladora, ingênua, onde algo iria se desvelar na minha frente como uma epifania? Não, talvez a decepção tenha sido simplesmente porque a peça era ruim mesmo. Quem gostou desse espetáculo tenha a bondade de não defendê-lo na minha frente. Foi a primeira vez que eu quase abandonei o teatro antes da peça acabar. Digo "primeira vez que quase abandonei" porque uma vez fiz isso, sai mesmo, no "Educação Sentimental do Vampiro", no SESI. Dessa vez foi quase. Devia ter saído.

Hoje fui disposto a ver o "Avatar". Meu irmão falou que é bom - dentro da proposta, claro - e me pareceu uma diversão despretensiosa para uma tarde de sábado de quase-férias-ainda. Ingenuidade de novo, por achar de saída que em um Shopping em pleno sábado de janeiro ninguém mais havia pensado nisso. Mesmo uma hora antes da sessão, a imensidão de pais, filhos, cachorros (é, eles frequentam, não sabia) e agregados prometia desilusões pelo caminho. Pensei em tomar um café. Fila. Cogitei outro, fila maior ainda. Resta subir ao Cinemark. Sessão esgotada. Qual opção ainda tem ingresso, já que vim até aqui? "Encontro de Casais". Como não estava no centro da cidade, excluí a possibilidade de ser um filme pornô. Não sabia nada sobre o dito cujo. Mas o cheiro de comédia romântica pairava no ar. Ok, o trabalhador brasileiro tem direito a um momento sessão da tarde.

Filme água com açúcar. Até que bem feito. E não é que tem uma cena que pega? Filhos da puta. Eu já me achando meio nórdico com Strindberg e Ibsen, acima da carne seca desse romantismo enlatado e barato e pronto: os caras me pegam em um detalhe miserável. Não aguento ver cena de casal discutindo onde um cala a boca do outro se beijando, de repente. Coisa que o imaginário hollywoodiano colocou na nossa cabeça mas que, confesso, me tira as defesas. O ápice desse imaginário é aquela cena do "Cinema Paradiso", no final. Mas aí é cinema bem feito. Hoje tive contato com uma versão bem tosquinha desse mesmo naipe, sem comparação. Mas os caras me pegaram.

O pior é que mesmo um filme meia boca pode ter a capacidade - dependendo das condições anormais de temperatura e pressão - de fazer com que você teça elocubrações que vão muito além. E veio a epifania tardia que o "Sonho de Outono" ficou me devendo.

Mas não vou escrever sobre isso hoje. Se você leu tanta bobajada até aqui, não merece uma tentativa de coisa séria no final. Vai decepcionar. Outra hora.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Chuva



Wild is the Wind

Love me, love me, say you do
Let me fly away with you
We´re creatures of the wind,
And wild is the wind
Wild is the wind
Give me more than one caress,
Satisfy this hungriness
We´re creatures of the wind,
And wild is the wind

You touch me,
I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins

Like the leaf clings to a tree,
Baby please, cling to me
We're creatures of the wind,
Wild is the wind

You touch me,
I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins


Love me, love me, say you do
Let me fly away with you

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Cyrano


(...)

ROXANE
Oh! Você nunca havia falado assim antes!

CYRANO
É que é hora de abrir o coração!
Não de usar de palavras delicadas, mas de deixar que jorrem, livres, as incontidas águas da paixão! Sejamos simples, sob essas estrelas que pairam sobre nós, perenemente. As palavras mais simples são mais belas, porque transmitem o que a pessoa sente no mais fundo de si, mas mesmo elas não servem para dizer inteiramente deste amor que nasceu timidamente, mas com a força do vento e das tempestades!
Este amor que fugiu da claridade, escondeu-se de todos, nas vielas, escondeu-se nos becos, nas tavernas, e oculto te seguiu pela cidade!
Teu nome está em meu coração como um sino e assim como eu tremo pensando em ti, a cada vez que ele balança, lembro do teu nome! Roxanne! Roxanne! Roxanne! Estou tão habituado a tomar sua presença pela luz do dia que assim como ao olharmos o sol vemos um borrão vermelho, quando você surge minha visão ofuscada vê sobre todas as coisas apenas a sua luz impressa.

ROXANNE
Oh, isso é amor de fato!...

CYRANO
Pela sua alegria eu de boa vontade abriria mão da minha - mesmo que você jamais fosse saber - jamais! Se eu pudesse ouvir - longe de você e solitário - algum eco alegre de felicidade eu dou a você! Agora você me entende? Sente minha alma, aqui, em meio à escuridão crescente?

(...)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Feliz Ano Novo ou como recomeçar



Na foto minha amiga Ana com uma amiga dela e a Sofia (nome provisório) dentro da barriga. A Sofia nasceu dia 17 agora. E hoje vai ganhar o nome definitivo. Eu espero que não seja Sofia... Mas mesmo assim ela inaugura as boas novas de 2010!

Feliz Ano Novo! Como diria um amigo que me mandou um sms na virada, "temos novamente 365 oportunidades de dizer sim à vida". E eu, sem muita criatividade, encaminhei o sms para outros contatos. Que ele entenda como um "sim" da minha parte à sua mensagem, e não simplesmente preguiça em pensar em algo melhor. E no exercício do plágio, para os que receberam meu sms encaminhado, que pensem que fui eu que escrevi, sem problemas.

Volto ao trabalho hoje sem muito o que fazer. São Paulo insiste em ser Manaus - muito calor e chuvas com hora marcada. Tempestades súbitas. Fui vítima de uma delas no sábado. Questão: será esperar muito dos motoristas de ônibus, em casos de enxurradas monstro, cuidar para não darem um banho cruel nas pessoas que tentam se abrigar nas marquises e toldos contíguos aos pontos?

A noite do domingo não passava. Será simples retomada do horário normal ou insônia mesmo? Por que questões existenciais, profissionais e estéticas têm mania de aparecerem justamente quando a gente quer que o cérebro descanse? Se "mente vazia é oficina do diabo", será justamente quando queremos esvaziar a mente que ele começa a trabalhar nela, ignorando o nosso sono necessário? Depois de Natal com Franz Kafka e Ano Novo com Ibsen, com quem serão os próximos feriados? Carnaval com Gordon Craig e Páscoa com Artaud (Carnaval com Artaud seria muito, "muito roots"...)? Pessoas vivas, apareçam, sim?

O que me atormentava ontem era a necessidade de um único projeto que conseguisse me alimentar. Mas parece que cada vez mais meu organismo estético almoça em restaurantes por quilo: o prato único deu lugar à variedade... Carne, peixe, frango e macarrão em um mesmo prato. Dá-lhe digestão. Até quando? Até porque "passarinho que come pedra..."

xxx

Existem formas de pensamento um tanto compartimentadas que nos são herdadas e guiam nossas escolhas. Não sei se forte demais pensar em "cânones" de ação, de opção, de conduta, de estética. Como se não fosse possível criar parâmetros. Estava lendo a tradução do Ferreira Gullar do "Cyrano" e ele comenta que Edmund de Rostand escreve uma peça de "romantismo tardio" e que na tradução ele tentou suavizar um pouco o clima exageradamente romântico. Ok, percebe-se isso na tradução sim, em contraponto com outras versões traduzidas mais "ao pé da letra". Mas uma questão que se colocaria logo de início ao trabalhar com este texto não seria: como correr o risco de adentrar nesse clima para talvez transcendê-lo? Até porque Cyrano é um herói romântico, bipartido (como o texto mostra na idealização da soma Cyrano - Christian) mas romântico.
Eu não gosto especialmente de Renato Russo, aliás nunca engrossei o coro dos que o consideravam gênio, poeta de uma geração, etc... Mas me lembro de uma entrevista que ele deu, já bastante comprometido pela doença, onde comentava sobre um disco solo que lançou só com músicas em italiano. Renato dizia que queria fazer um disco "brega mesmo" e que ao final nem tinha achado tão brega assim. O que me chamou a atenção foi o fato dele ter ido atrás de algo que queria fazer e realmente realizar isso, a despeito da crítica ou dos riscos de sentimentalismos, etc... Foi lá e fez. Até porque sabia que o tempo estava contra ele. E nós, jovens (ou pelo menos relativamente jovens) e sadios (ou pelo menos relativamente sadios, sem uma doença terrível nos lembrando do nosso prazo de validade à toda hora) o que fazemos?
Outro dia conversei com um colega que lembrava de suas realizações há dez, quinze anos atrás. Eu parei e disse: "não é um absurdo fazermos menos agora, que temos melhores condições, que há dez, quinze anos atrás?". Ele concordou.

Urgência de realizar. Mesmo correndo riscos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Flávio Rangel


"O Flávio não era o intelectual sonhador que fica imaginando coisas, mas era nitidamente um executor que criava. E você via a obra executada com muita velocidade e muita perfeição. A maior parte não eram peças. Eram romances. Livros que nós já tínhamos em casa e, muitas vezes, lamentavelmente, eram livros meus. O estêncil, nessa ocasião, soltava muita tinta azul. Então a máquina ficava suja e os meus livros ficavam imundos. Sempre nesse sistema louco, deixava para o último dia. Ele pegava uma mesinha de cozinha e levava para a sala de visitas. Colocava o cinzeiro ao lado, três maços de cigarro. Colocava o disco e um peso na vitrola automática, para enganar a vitrola, de tal maneira que, quando o braço da vitrola chegava ao fim, começava de novo. Passava a noite ouvindo o mesmo disco, sem parar. Era sempre o tema básico da peça que ia ser ensaiada no dia seguinte. Sentava-se à máquina e batia o estêncil direto. Ele não fazia rascunho de coisa nenhuma. Ia relendo e datilografando, em forma final, no estêncil. Fumando. Até as sete da manhã, dez, doze horas seguidas. Mamãe deixava uma garrafa de café. Ele tomava durante a noite, fumava os três maços de cigarro. De manhã, você entrava na sala e dava para cortar o ar com uma faca. E tinha um envelope sobre a mesa. Por volta das oito horas da manhã chegava o menino da televisão, levava para a televisão. E o Flávio desmaiava até o meio-dia."

(depoimento de Mário Rangel para José Rubens Siqueira em "Viver de Teatro", biografia de Flávio Rangel)

Estava eu mexendo esses dias no texto de Cyrano de Bergerac para uma futura montagem quando me lembrei que o Flávio Rangel dirigiu essa peça - uma das últimas da sua carreira, interrompida precocemente aos cincoenta e poucos anos - com o Antônio Fagundes no papel principal. Fui reler uns trechos da biografia dele escrita pelo Zé Rubens e me lembrei desse trecho. E percebi que guardadas as devidas proporções, cá estou eu repetindo a vigília do Flávio. Não temos os três maços de cigarro, a vitrola da lugar ao Windows Media Player e o trabalho é sobre a peça mesmo, sem a pressão de um outro dever a ser cumprido de véspera. O café está aqui, infelizmente não é minha mãe quem deixa também.
Tenho dormido as 8h, 9h da manhã. Sem sono. Fuso horário de Atenas, só pode ser.
Mas trabalhar sobre esse texto tem sido bom. Muito bom. Sabe-se lá se será montado semestre que vem, espero que sim, mesmo no contexto de uma escola de formação é sempre bom buscar as coisas que fazem sentido para si mesmo. E acredito que também fará, para muita gente.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Natal com Franz Kafka

"ANDRÉ
Acabou de ler “A Metamorfose” pela décima vez?

BETO
Não enche.

ANDRÉ
Sabe que eu acho que isso te faz mal?

BETO
Você me faz mal, André.

ANDRÉ
Daqui a pouco você reza para o Kafka.

BETO
Por que está falando isso?

ANDRÉ
Você reza já? Putz. Está pior do que eu pensava.

BETO
Eu te falei da vela?

ANDRÉ
Vela?

BETO
É. Toda vez que alguém me diz que vai para Praga eu peço para acender uma vela no
túmulo do Kafka.

ANDRÉ
Mas ele não era judeu?

BETO
Era. E daí?

ANDRÉ
Deixam acender velas em cemitérios ju-deus?

BETO
Não sei.

ANDRÉ
Acho que não.

BETO
Mas a Heloísa me disse que acendeu uma vela para mim quando ela foi lá.

ANDRÉ
Para ele.

BETO
É, para ele. Quer dizer, para mim, eu que pedi. Você entendeu.

ANDRÉ
E ela acendeu.

BETO
Disse que sim.

ANDRÉ
Acho que ela mentiu.

BETO
Você acha?

ANDRÉ
Vela em cemitério judeu? Acho que isso não existe.

BETO
Você é judeu?

ANDRÉ
Não.

BETO
Então você está supondo.

ANDRÉ
Tudo bem, não vem ao caso mesmo. Va-mos acreditar que a sua vela estava lá."