sexta-feira, 29 de maio de 2009

O salto no abismo da fé - parte dois


Eis que estava querendo postar algo sobre o Kierkegaard e a idéia do "salto no abismo da fé" e quando faço uma busca no Google aparece o meu blog como resultado. É, já tinha falado sobre isso. Repetitivo eu.

Mas como "às vezes a vida volta", as reflexões passadas servem para o presente e o futuro. Por isso o salto. Por isso a repetição.

Pensando bem rapidamente na idéia de "fé", independentemente do caráter religioso da coisa, poderíamos dizer que ela diz respeito a algo que se crê sem garantia. Como diria um amigo: "dar uma folha branca assinada para Deus". Ok, entenda-se "Deus" no sentido metafórico (tem outro?) e não religioso de novo.

Enfim.
Aí estamos em uma situação que nos coloca frente a uma encruzilhada. E se não conhecemos os caminhos, por qual seguir? O sol bateu de forma diferente de um dos lados, um pássaro passa cantando, uma folha se move pelo chão com uma lufada de ar... E nossa escolha recai naquela direção. Nada racional. Nada concreto. Fé.

O que o abismo reserva? Talvez um oceano de possibilidades no final. Mas é escuro demais para ter certeza. Mas com probabilidades matemáticas não se vive. É nessas horas que, contrariando o Daniel que comentou o post anterior, dá o tempo justo de seguir o coração.

"O herói nunca morre no meio do quinto ato." Henrik Ibsen
"Desde quando você é racional?" Kedma Franza
"Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências." Osho

Tudo já foi citado antes aqui. Mas a idéia do coração vibrando é bonita, apesar do Osho ser uma personalidade questionável.

Quando foi que meu coração vibrou pela última vez - em um ensaio? Em uma apresentação?
Buscar um projeto novo não deve ser mais que ter um novo produto, uma nova peça?
Não deveria ser a busca desse momento?
Parece que as vibrações interferem umas nas outras.
Se o seu coração vibra, pode ser um bom começo para que o de outros também vibrem.

Ouvir Grieg pode ser uma pista. Foi lá que ele começou a vibrar pelo moço norueguês que envelhece ao longo de cinco atos.

domingo, 24 de maio de 2009

aninha ou (...)tinha

Ela chegou.
Na verdade eu fui buscar. Um bicho que achei feio logo de cara e que resolvi adotar porque era esquisita. Amar a esquisitice faz parte do nosso destino de não querer o perfeito, o lugar-comum, mas abrir-se para conhecer e reconhecer.
Ela já sabe onde fazer suas necessidades, onde comer e onde dormir - na cama ou atrás da geladeira. E segue os outros seres vivos. Bem de perto inclusive. Fizemos amizade. Uma gata que parece um cachorro.
As janelas teladas garantem o que o contrato de adoção diz - mais parece um casamento: na saúde e na doença, etc... Essa não se joga. À benção, finado Samuel.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Reflexão: a vida é curta...

... mas dá o tempo justo de seguir o coração.

(parafraseando e completando mensagem de Juliana Jardim)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Relembrando a conversa no ônibus Socorro

Conversa de ônibus, memorável, há anos atrás.

Eu sentado, duas moças sentadas no banco da frente.
"O que é aquilo ali?"
"É um boliche."
"Boliche? Que que é isso?"
"Um jogo que é assim: tem uma pista com umas garrafas. Aí você tem um bola, com sete buracos, um pra cada dedo (!!!!????). E você derruba as garrafas com a bola."
"E daí?"
"Bom, quanto mais garrafas você derruba, mais pontos faz. Quando derruba todas, é a jogada que vale mais ponto, chama ESTRAGO"!

A gente ri ou chora?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Final de semana

Organizar uma casa dá trabalho. Como diria minha amiga princesinha do Tucuruvi.
Domingo, dia das mães - ok, apelo comercial, etc - e pela primeira vez em três anos, com mesa em casa, quatro cadeiras e tudo mais fiz comida com amigos. O cardápio com apoio do frango da padaria mais próxima, vá lá, mas a atitude é o que importa. E foi bom.
Sacos de lixo e caixas para fora, um início de ordem que poderia ter sido brindado com um apoio maior da NET, que mais uma vez falha e deixa o começo de semana com ares de PROCON. Rendo-me à Telefonica (sem acento) e em breve vamos novamente preferir o percurso linha fixa, speedy e etc.
A Linda Lohman, no final da peça termina de pagar a hipoteca mas não há ninguém morando na casa. O Chris Supertramp chega à conclusão tardia de que a felicidade só existe partilhada. Florentino Ariza faz o barqueiro entender que é a vida, mais do que a morte, a que não tem limites. Hamlet olha os corpos mortos ao seu redor e diz que o resto é silêncio, antes da própria morte. E a vida é curta. Mesmo sem limites. Estava à toa na vida, o meu amor me chamou diz a música. E mesmo a banda passa. Em meio à virada cultural, o Coronel Aureliano Buendia teria feito o mesmo percurso do livro, observando tudo na sua solidão miserável. Onde foi que o caminho se perdeu?

A gente sobrevive. Mas a sobrevivência não basta. Precisa-se de vivência.

E se Godot não vier?
A gente volta amanhã.
E se ele vier?
Aí seremos salvos.

A vida é muito curta. E como dizia uma peça assistida há semanas atrás, os anos passam em uma velocidade imensa, mas os minutos demoram uma eternidade. No começo de um novo momento, olha-se para trás com carinho. O caminho sofre desvios muito mais quando se olha para frente, pelo ângulo errado, do que para trás, com sinceridade.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Relações inusitadas

Hoje deu na UOL. Um coelho gigante e um porco ficaram amigos.

E daí?

Também não sei. Mas talvez seja um exemplo da possibilidade de hamornia entre os seres humanos.

Sabe-se lá.

terça-feira, 5 de maio de 2009

...


...e no meio das caixas lá estava ele, esperando para ser colocado na parede, enrolado como um tubo, presente de um amigo que me deu essa reprodução quando voltou de uma viagem, no ano passado.
O tempo passa mas a beleza do "Beijo" não se altera. Mesmo clichê, mesmo batido, mesmo assim. Existem coisas que podem se alterar sim, mas são sempre as mesmas, ao mesmo tempo.
Pode ser que esse quadro seja uma dessas coisas.
Resta decidir a parede.
E finalmente tirar, de vez, do meio das caixas.
Um bom começo para resolver uma mudança.
Não demorar para tirar das caixas as coisas, organizar, jogar fora o que não precisa, arrumar a casa.