
Eis que estava querendo postar algo sobre o Kierkegaard e a idéia do "salto no abismo da fé" e quando faço uma busca no Google aparece o meu blog como resultado. É, já tinha falado sobre isso. Repetitivo eu.
Mas como "às vezes a vida volta", as reflexões passadas servem para o presente e o futuro. Por isso o salto. Por isso a repetição.
Pensando bem rapidamente na idéia de "fé", independentemente do caráter religioso da coisa, poderíamos dizer que ela diz respeito a algo que se crê sem garantia. Como diria um amigo: "dar uma folha branca assinada para Deus". Ok, entenda-se "Deus" no sentido metafórico (tem outro?) e não religioso de novo.
Enfim.
Aí estamos em uma situação que nos coloca frente a uma encruzilhada. E se não conhecemos os caminhos, por qual seguir? O sol bateu de forma diferente de um dos lados, um pássaro passa cantando, uma folha se move pelo chão com uma lufada de ar... E nossa escolha recai naquela direção. Nada racional. Nada concreto. Fé.
O que o abismo reserva? Talvez um oceano de possibilidades no final. Mas é escuro demais para ter certeza. Mas com probabilidades matemáticas não se vive. É nessas horas que, contrariando o Daniel que comentou o post anterior, dá o tempo justo de seguir o coração.
"O herói nunca morre no meio do quinto ato." Henrik Ibsen
"Desde quando você é racional?" Kedma Franza
"Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte por aquilo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências." Osho
Tudo já foi citado antes aqui. Mas a idéia do coração vibrando é bonita, apesar do Osho ser uma personalidade questionável.
Quando foi que meu coração vibrou pela última vez - em um ensaio? Em uma apresentação?
Buscar um projeto novo não deve ser mais que ter um novo produto, uma nova peça?
Não deveria ser a busca desse momento?
Parece que as vibrações interferem umas nas outras.
Se o seu coração vibra, pode ser um bom começo para que o de outros também vibrem.
Ouvir Grieg pode ser uma pista. Foi lá que ele começou a vibrar pelo moço norueguês que envelhece ao longo de cinco atos.

