Organizar uma casa dá trabalho. Como diria minha amiga princesinha do Tucuruvi.
Domingo, dia das mães - ok, apelo comercial, etc - e pela primeira vez em três anos, com mesa em casa, quatro cadeiras e tudo mais fiz comida com amigos. O cardápio com apoio do frango da padaria mais próxima, vá lá, mas a atitude é o que importa. E foi bom.
Sacos de lixo e caixas para fora, um início de ordem que poderia ter sido brindado com um apoio maior da NET, que mais uma vez falha e deixa o começo de semana com ares de PROCON. Rendo-me à Telefonica (sem acento) e em breve vamos novamente preferir o percurso linha fixa, speedy e etc.
A Linda Lohman, no final da peça termina de pagar a hipoteca mas não há ninguém morando na casa. O Chris Supertramp chega à conclusão tardia de que a felicidade só existe partilhada. Florentino Ariza faz o barqueiro entender que é a vida, mais do que a morte, a que não tem limites. Hamlet olha os corpos mortos ao seu redor e diz que o resto é silêncio, antes da própria morte. E a vida é curta. Mesmo sem limites. Estava à toa na vida, o meu amor me chamou diz a música. E mesmo a banda passa. Em meio à virada cultural, o Coronel Aureliano Buendia teria feito o mesmo percurso do livro, observando tudo na sua solidão miserável. Onde foi que o caminho se perdeu?
A gente sobrevive. Mas a sobrevivência não basta. Precisa-se de vivência.
E se Godot não vier?
A gente volta amanhã.
E se ele vier?
Aí seremos salvos.
A vida é muito curta. E como dizia uma peça assistida há semanas atrás, os anos passam em uma velocidade imensa, mas os minutos demoram uma eternidade. No começo de um novo momento, olha-se para trás com carinho. O caminho sofre desvios muito mais quando se olha para frente, pelo ângulo errado, do que para trás, com sinceridade.
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