sábado, 10 de setembro de 2011

Vovó Mafalda Coletivo Teatral - Primeiro Manifesto



Primeiro Manifesto

O Vovó Mafalda Coletivo Teatral propõe o retorno da Arte ao seu estado único de ação agregadora de estímulos, símbolos e leituras do real que por si só pretende recriar a sensação primeira do homem primitivo ao sair de sua caverna e gritar: "salve o dia", mesmo antes de haver uma linguagem articulada;

Nosso bom selvagem hoje é o homem da metrópole, o homem coisificado, que deve despertar de seu estado de insônia sonambulesca urbana e rever o rosto do palhaço-travestido no espelho - o pancake branco, sua verdadeira face escondida pelo falso glamour das cidades;

A Arte do Teatro só reencontrará sua chama original pela desconstrução até daquilo que já se desconstruiu; nem o pós dramático nos serve - ele precisa ser desfigurado: só com uma torta na cara Lehmann reencontra seu estar-no-mundo;

O palco é a Vida, e a Vida precisa ser resignificada para que de novo faça sentido entre os quatro lados do picadeiro-peça-manifesto-show da Pólis moderna. Nosso nariz vermelho não é do clown folhetinesco, açucarado, bestializado em sua ingenuidade imbecil, mas da comicidade do grotesco animal, das víceras do riso original artaudiano, do silêncio tribal pós banquete antropofágico onde os inimigos eram devorados - suas qualidades digeridas e seus defeitos defecados.

Só Vovó Mafalda nos une. A vovomafaldificação da Arte é urgente, necessária e plural.

Trabalhadores da Cultura, Mafaldifiquem-vos!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O Ministério da Saúde adverte: você é maior que apenas um militante de carteirinha (de qualquer coisa)...

Às vezes me pergunto se determinadas escolhas que fazemos não nos engolem e acabam resumindo nossa identidade - que deveria por definição ser algo mais complexo - a uma determinada faceta da nossa personalidade.
Fulano começa a fazer curso de teatro e um mês depois tatua as máscaras da comédia e da tragédia no corpo. Outro resolve virar vegetariano e passa a mandar e-mails e postar fotos na internet sobre a crueldade com que os animais são mortos para saciar a indústria alimentícia. A menina ou o cara se descobrem gays e de repente parecem viver para provar para todo hetero que o bissexualismo é a orientação sexual do futuro. Feministas que dedicam sua existência questionando a sociedade machista. Homens que querem provar diariamente a superioridade masculina e como biologicamente a mulher deve ser submissa e aceitar o papel "polinizador" do macho. Petistas que votariam até no Maluf se ele passasse a ser do PT, Malufistas que continuariam a votar nele se fosse para o PT. Radicalismos, seja à esquerda ou à direita. Eu só "sou" alguma coisa se estiver carregando uma bandeira.

A discussão da hora é o politicamente correto. Para banir os preconceitos de toda a espécie, de repente, nadamos até a margem oposta e ficamos em uma torre de vigilância para acusar o primeiro ato que soe preconceituoso. Ao invés de focar as preocupações em coibir e punir o estupro, por exemplo, gastamos nossa energia condenando a piada sobre o assunto. Uma linha tênue e complicada, essa do politicamente correto...
Longe de querer pregar o desrespeito ou o preconceito, como prever, nos dias de hoje, o limite entre uma piada e uma ofensa?

Existe gente que acredita nesses estereótipos? Claro que sim. Mas em contextos específicos brincar com eles revela justamente que as pessoas não os levam a sério. Tenho amigo gay que faz piada de gay, amigo negro que faz piada de negro, amigo evangélico que faz piada de evangélico, amigo gordo que faz piada de gordo, amigo corintiano que faz piada com corintiano e por aí vai. Quando todos eles fazem piadas com os outros de uma forma tranquila, me parece que o "preconceito" se esvazia e todos se igualam no que o ser humano tem de comum: somos todos ridículos. Justamente porque precisamos dessas "bandeiras"...

Me parece que nos levamos, muitas vezes, à sério demais. Como se o juiz de futebol fosse parar o jogo e abrir um processo contra uma arquibancada inteira que xinga sua mãe.



quinta-feira, 28 de julho de 2011

FUNARTE

Eu vivi a vida toda ensaiando em espaços onde outros grupos trabalhavam. Escolas, espaços públicos, locados, onde muitas vezes havia conflitos de agendas, grupos em horários e espaços trocados e tudo mais...

Eu sempre odiei entrar em uma sala e interromper o ensaio de alguém. Mesmo quando quem estava ali estava equivocadamente. Acho agressivo interromper uma ação criativa. Acho invasivo entrar em um espaço de criação e de intimidade.

Lutar pelos interesses da classe teatral é legítimo. Mas ocupar um espaço onde pessoas estão ali FAZENDO ARTE e impedí-las disso me parece injusto, abusivo e invasivo. É um contra senso lutar pela Arte impedindo-a, em qualquer instância.

Quem acha que o teatro é importante além de quem FAZ teatro? A culpa é da FUNARTE ou um pouco nossa, que olhamos apenas para nosso umbigo e nossos pares?

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Giles



Em uma aula, certa vez, meu amigo Cyro Del Nero disse:
"O Egito me dá preguiça."
O comentário politicamente incorreto deixou a turma em suspenso por alguns instantes, até ele explicar. A civilização egípcia era tão grandiosa e sua importância na História e na Arte tão grande que seria preciso uma vida dedicada só a ela, para lhe fazer justiça. E ele preferia se dedicar à Grécia. E a Grécia para o Cyro não admitia concorrência.

Hoje em dia tenho visto muitos espetáculos e/ou projetos que sempre citam Deleuze. Acho que o teatro, antes do Deleuze, não existia. Ou pelo menos não existia em sua forma ideal, que é a do "teatro contemporâneo"... Li coisas dele como comentador do Artaud, mas me incomoda o fato de que tudo hoje em dia parece ter que possuir a "chancela" do Deleuze - ao menos uma citaçãozinha, vai - para constituir-se como pensamento.

Prefiro ler o Artaud do que o comentário do Deleuze sobre o Artaud. Mesmo que declarar isso seja um pecado...

E tem MUITA coisa que funciona em teses, projetos, programas de peça... Mas não se configuram na prática. A questão é que nossas leituras constroem nosso pensamento e interferem diretamente o nosso fazer - mas não RESOLVEM nosso fazer.

Não duvido da importância do Deleuze mas sinceramente acho que não estou a fim de dedicar minha vida a ele. Deleuze para mim é como o Egito. Dá uma certa preguiça...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

São Paulo, 16 de Junho de 2011

Pois é, meio ano foi embora e a correria continua.
Já adiantando um balanço de semestre, foi positivo sim...
Mas fica a sensação de que o tempo ou soa demasiado ocioso ou intenso demais.
Ou sobra ou falta, e não necessariamente para as coisas que realmente importam a balança do "sobra" pesa... Na verdade, é quase sempre o oposto...

Acho que devo fazer umas "resoluções de semestre novo" ainda a tempo de começar agosto diferente...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

NIKLASSTRASSE, 36


Baseado na obra A Metamorfose, de Franz Kafka, o espetáculo Niklasstrasse, 36 mostra uma manhã que deveria ser como outra qualquer, mas que marca, definitivamente, a vida de Gregor Samsa. A metamorfose já aconteceu. O que o espectador vê, ao longo da fábula kafkiana, é a transformação do entorno, das pessoas que convivem com Gregor - a clareza cada vez mais nítida sobre a perversidade das relações familiares, das estruturas de dominação e submissão e da alienação humana. Com Aline Baba, Camila Nardoni, Luana Frez, Lucas Almeida e Mariana Viana. Direção René Piazentin.



Teatro Cacilda Becker - Rua Tito, 295, Lapa

de 03 a 26 de junho de 2011

Sextas e sábados as 21h e domingos 19h

Ingressos: R$10,00 (meia R$5,00)